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SERÁ QUE AINDA HÁ TEMPO?
O Rio tem mais de 500 favelas. Esta foi a desgraça social que o egoísmo, o preconceito e a conseqüente falta de políticas públicas adequadas conseguiram produzir.
Primeiro elas eram miseráveis, pura e simplesmente. Favela antigamente era “barracão de zinco, sem telhado”. Não sei o que veio antes ou depois, mas o fato é que hoje elas são de alvenaria, têm laje, churrasco na laje. E são, ou foram, comandadas pelo tráfico de drogas.
Acontece que, na ditadura do marketing, a maconha e a cocaína estão em declínio. Chique agora é o Ecstasy, coisa de classe média, daí pra cima. Ninguém mais precisa subir o morro para buscar a sua droga. Os comprimidinhos são fáceis de comprar e traficar, são limpos, até parece que não fazem mal à saúde. O Ecstasy está para a cocaína assim como a bossa-nova esteve para o samba de má qualidade.
Com o declínio do negócio, surgiram as milícias. Seguranças, policiais, falsos policiais e outros resolveram tomar para si algumas favelas, expulsar dali aqueles traficantes falidos e vender proteção para as comunidades. Se o estado fosse Estado, aquele seria o seu lugar. Mas, infelizmente, ele nunca chegou lá.
O desespero vem dos presídios: “Tá faltando grana, pô!”. Então, bota pra quebrar, bota pra queimar, vamos fuzilar as delegacias assim como o PCC fez em São Paulo. Alguma relação com os incêndios na periferia de Paris? Ou com as torres gêmeas de 11 de setembro? O que acham?
Por todo o mundo ecoa o grito dos desesperados. Nos campos de refugiados, por exemplo, apenas com desesperança mesmo. Mas, aonde ainda sobrou algum recurso, pode eclodir a mais brutal violência.
A raiz de tudo é a miséria. Assim como a raiz dos desastres climáticos é a ação do próprio homem. Não são problemas apenas dos governos. São males que a gente produz, mas não quer parar. É uma consciência que teima em não aflorar o suficiente.
Será que ainda há tempo?
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h09
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