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O CAPITAL MORAL
 

O PRESIDENTE LULA ME CONFUNDE A CABEÇA

(ou Lula em Copenhague – Um exemplo)

 Na primeira eleição, eu votei nele. Acreditava que os governantes precisavam dar valor aos pobres, inverter o olhar. Parodiando Galbraith, eu queria que a sociedade fosse mais justa, que a pobreza estivesse “na consciência de todos, sua eliminação fazendo parte da política pública de todos”.

Fiquei orgulhoso com a eleição de Lula. Logo no primeiro dia ele declarou que o brasileiro tinha o direito de tomar café da manhã, almoçar e jantar. De forma absolutamente simples, ele sintetizou uma grande mudança no foco das políticas públicas, influenciando todas as áreas, inclusive a responsabilidade social das empresas.

Ao mesmo tempo, a administração pública mostrou-se inoperante para resolver questões prioritárias, como saúde, transportes e educação. Nem ao menos foi capaz de cumprir a maioria das promessas dos ministros. Veja algumas delas e dê uma nota àqueles primeiros 4 anos de governo, se quiser:

As cidades serão valorizadas.

Haverá muito mais moradias populares, financiadas pelo FGTS e outros meios (inclusive títulos de propriedade para os favelados).

As crianças serão preparadas para o mercado, com acesso à tecnologia digital.

A política do Meio Ambiente será transversal e estará presente em todos os setores da administração pública.

Uma redução da jornada de trabalho bem conduzida poderá criar novos postos de trabalho, aumentar o consumo e melhorar a economia.

Será aprovada a Bolsa-Atleta, que vai beneficiar todos os estudantes que se destacarem nos esportes.

Os exames vestibulares serão progressivamente substituídos pelas provas anuais do ensino médio, incentivando os estudos todos os anos.

Não haverá mais crianças analfabetas no Brasil. Haverá um censo dos meninos de rua e casas e escolas para todos.

O combate à corrupção terá uma superestrutura, as licitações federais serão mais transparentes, será o fim do nepotismo.

Os direitos humanos não serão apenas direitos civis, mas também direitos econômicos ao trabalho, à saúde, à educação.

Será lançada a Carteira do Primeiro Emprego

A política dos remédios genéricos será ampliada.

O Natal sem fome será o ano inteiro.

O que ficou cada vez mais evidente é que, no afã de obter apoios, o presidente era totalmente permissivo em relação à corrupção, um péssimo exemplo para todo o país.

Veio a campanha da reeleição. Votei no Cristóvam Buarque, mesmo sabendo que ele ia perder. Queria dar o meu apoio à sua proposta educacional.

Lula foi reeleito com mais de 58 milhões de votos, a segunda maior votação de todas as democracias ocidentais, o que confirmava o valor do seu pragmatismo na economia, na política e no discurso. Aliás, o discurso, em termos gerais, é genial – até quando nos coloca na merda, simplesmente porque ela é verdadeira e a linguagem é do eleitorado quase todo.

A minha cabeça é que não entende bem: como é que um sujeito tão mal educado pode ser tão inteligente? Como é que um sujeito cuja ética permite ter "disposição em fechar os olhos para escândalos quando lhe convêm", segundo The Economist, pode, em outras ocasiões, defender causas tão nobres e justas?

Lula, o filho do Brasil, foi saudado por Susan Sontang, da Academia Americana de Letras, como a única coisa boa que aconteceu no mundo nos últimos tempos. O que é isso? Mas fico inclinado a concordar com a Dona Suzana, que Deus a tenha, quando leio o que o presidente disse diante da cúpula mundial em Copenhague:

"Confesso que estou um pouco frustrado porque discutimos a questão do clima e cada vez mais constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar... adoraria sair com o documento mais perfeito do mundo. Mas se não conseguimos fazer até agora esse documento, não sei se algum sábio ou anjo descerá nesse plenário e conseguirá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora".



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 17h12
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SUSTENTABILIDADE UMA OVA!

Esta palavra entrou na ordem do dia.

__ Este é um empreendimento sustentável.

Pode significar, simplesmente, que tem potencial para se manter ao longo do tempo, não deve quebrar.

__ Esta é uma empresa que trabalha pela sustentabilidade.

Significa que ela acredita que as suas práticas vão deixar um bom legado para as gerações futuras, ou seja, se depender dela, nossos netos vão herdar um planeta melhor do que este em que vivemos.

__ O Brasil precisa crescer de forma sustentável.

Significa, em linhas gerais, que devemos prosperar sem gastar mais recursos do que a natureza é capaz de repor.

O problema é que as práticas do mundo moderno não são sustentáveis. Não existe uma única empresa absolutamente sustentável em todo o mundo. Todas elas consomem recursos, da luz elétrica às baterias de celulares, dos elevadores à tinta das impressoras, e assim por diante. A petroquímica que nos cerca, numa gama infinita de produtos e aplicações, depende da exploração do petróleo, muitas vezes em águas profundas, onde é impossível trabalhar com vazamento zero. E o que dizer da mineração de outros insumos, produzindo verdadeiras crateras nas florestas, para depois virem nos dizer que as árvores foram replantadas? Nada foi prejudicado, nem as plantas, nem os bichos, nem a água? Tomara.

Porém, o pior ainda está por vir. Segundo o Copenhagen Consensus (2004), que reuniu nove economistas mundiais de grande prestígio, os principais problemas ambientais deste planeta são, pela ordem, a AIDS, a má nutrição, as barreiras comerciais e a malária. A doença e a miséria degradam o ambiente. O nosso ambiente.

Vivemos um tremendo paradoxo: a biodiversidade relativa a 16 grandes ecossistemas terrestres já foi calculada em 33 trilhões de dólares. Mas o Banco Mundial estima que a degradação ambiental pode estar custando entre 4 e 8% do PIB de muitos países em desenvolvimento. O nosso modo de vida destrói o planeta, todos vão sofrer as conseqüências, mas as medidas para estancar a sangria ainda são muito, muito tímidas.

Há quem defenda o seguinte: a população mundial já está em quase 7 bilhões de habitantes. Não cabe mais ninguém, não há como suprir mais ninguém com os recursos existentes.

__ E vamos começar pelos pobres. Eles não têm mesmo como se manter, para que desejam ter filhos? Vamos tirar das mulheres pobres o direito à maternidade. Afinal, para que elas querem esta felicidade?

E tem muita gente que concorda. Mas, se ficarem sem abastecimento de gasolina para as suas caminhonetes, isso não! Veementemente não! Nada para eles é supérfluo, nada pode ser suprimido, muito pelo contrário.

Somos presas do que Galbraith chamou de “cultura do contentamento”. Para nós, o futuro jamais chegará. E as realidades que cultuamos só irão mudar quando provocarem danos tão grandes a ponto de afetar o nosso próprio contentamento.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 15h37
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OS 10 MANDAMENTOS DO DEPUTADO DISTRITAL

(criados a partir de um artigo do Deputado Chico Alencar, publicado em O Globo) 

  1. Realizar um mandato de serviço em favor das maiorias, para que todos conquistem seus direitos sociais.
  2. Considerar que um mandato de serviço é a expressão de uma vontade coletiva, não é um emprego.
  3. Ouvir e aprender com os seus representados antes de falar ou legislar.
  4. Buscar a justiça em todos os projetos de sua autoria, assim como naqueles em que for chamado a opinar ou votar. O interesse público deve prevalecer sobre o interesse particular.
  5. Agir com coerência: fazer o que fala, realizar o que promete, cumprir as promessas de campanha.
  6. Agir com transparência e honestidade, denunciando tráfico de influência e negociatas que possam ocorrer.
  7. Defender as denúncias infundadas que ofendem a classe política de forma generalizada com absoluta coragem e sinceridade.
  8. Agir com humanidade e sensibilidade quanto ao sofrimento das pessoas. Seres humanos são seres humanos, não apenas eleitores.
  9. Manter sua simplicidade depois de eleito.
  10.  Buscar a excelência em sua atuação, analisando os problemas com profundidade para encontrar as melhores soluções.

ESTES MANDAMENTOS FORAM INCLUÍDOS NUMA LICITAÇÃO PARA A CONQUISTA DA CONTA PUBLICITÁRIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE BRASÍLIA. A PROPOSTA FOI PERDEDORA.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h29
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O  SENHOR ARRUDA E A CORRUPÇÃO BRASILEIRA

Tendo em vista os últimos acontecimentos, vale relembrar o discurso do senhor José Roberto Arruda, quando empossado no governo do Distrito Federal. Ele disse que os políticos precisam ter cuidado para não desiludir as pessoas. "E o que seria pior: deixar que elas transfiram essa desilusão para a própria democracia, que deve ser permanente". E reafirmou seus princípios, ao dizer que os políticos têm de agir "estritamente de forma ética, sem nenhum tipo de permissividade".

A pergunta que fica no ar, para todos nós, é a seguinte: conseguiremos manter nossa fidelidade ao sistema, mesmo sendo furtados e achincalhados seguidamente pelos nossos representantes? Os dados que vêem a seguir são de um livro que escrevi em 2004. Precisam ser atualizados, o que não invalida o seu significado, até porque a maioria deles, de lá para cá, só piorou. 

 

A ONG “Transparência Internacional”, que publica um índice de percepção de corrupção, afirma que latino-americanos, africanos e asiáticos acham que há mais corrupção nos seus países do que os cidadãos das nações ricas: “A corrupção (no Brasil) chegou a um nível tão alto que acaba atrapalhando as relações comerciais em alguns setores e confundindo a missão da atividade política.” O Brasil deixa de receber U$40 bilhões anualmente porque os investidores estrangeiros desconfiam das instituições do país. E um estudo do BID diz que a América Latina perde 10% do seu PIB todo ano com a corrupção.

 

E o que acontece quando a corrupção é reduzida à metade? O Banco Mundial responde:

-          redução de 51% na mortalidade infantil;

-          redução de 54% na desigualdade de distribuição de renda;

-          queda de 50% na importância da economia informal em relação ao PIB;

-          queda de 45% na população que vive com menos de US$2 por dia.

 

Sabe-se também que, nos países mais corruptos:

-          as empresas têm resultados financeiros muito piores;

-          invertem-se as prioridades. Hospitais podem ser substituídos por gastos militares;

-          pequenas empresas podem gastar até um quarto do seu lucro para evitar multas;

-          os pobres gastam grande parcela do seu orçamento familiar pagando gratificações para conseguir um atendimento qualquer, seja da polícia ou dos serviços de saúde;

-          paga-se mais por empréstimos internacionais. No Brasil, o custo do dinheiro é bem mais alto que na Finlândia;

-          as empresas escapam do pagamento de propinas caindo na informalidade. Pagam menos impostos e enfraquecem o Estado.

 

A corrupção costuma ser sistêmica: “reside em...administrações vassalas, nas mais refinadas e nas mais podres forças policiais administrativas, nos lobbies das classes dominantes, nas máfias de grupos sociais emergentes, nas igrejas e seitas, nos autores e perseguidores de escândalos, nos grandes conglomerados financeiros e nas transações econômicas corriqueiras”, segundo Michael Hardt e Antonio Negri em “Império”.

 

Meu caro leitor, sempre que tiver oportunidade, diga não à corrupção. Os economistas do Banco Mundial chegaram à conclusão que o Brasil ocupa o 70º lugar no ranking dos países corruptos. Se chegarmos ao índice de Angola (152º), sem considerar nenhum outro fator, vamos ter uma renda per capita 75% menor em oito décadas. Se, por outro lado, chegarmos ao nível da Inglaterra (10O), ficaremos quatro vezes mais ricos no mesmo período, com a invejável renda per capita de US$14,000/ano.

 



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h25
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A PUBLICIDADE E A EDUCAÇÃO

O Sr. Kofi Anan, no 4º. Congresso Brasileiro de Publicidade, finalizou a sua palestra afirmando que a publicidade tem grande responsabilidade educativa no nosso mundo em constante mutação.

E tem sido assim, ao longo do tempo. Não há dúvida de que, nos primeiros tempos, os anúncios de sabonetes e pastas de dentes ensinaram muitos brasileiros sobre os hábitos de higiene pessoal. Assim como, recentemente, nos incentivaram ao uso dos computadores e dos celulares.

Então por que, nos últimos anos, vários setores da sociedade se armaram contra os publicitários, fazendo acusações de incentivo ao consumo irresponsável, clamando por regulamentações na maior parte sem sentido?

A resposta está, a meu ver, na própria história da propaganda brasileira. A característica informativa dos primeiros tempos foi, paulatinamente, dando lugar aos apelos emocionais. De “Uma Coca-Cola bem fria não só aplaca a sede, como também... é deliciosamente refrescante” evoluímos, por exemplo, para ursinhos em computação gráfica, tomando graciosamente sua Coca-Cola na neve.

Criatividade e técnica conseguiram envolver de tal forma os consumidores que nós passamos a ser temidos. Para alguns, não seria aceitável que os bichinhos da Parmalat influenciassem tanto os hábitos alimentares dos seus filhos. Nem que suas filhas pré-adolescentes só quisessem Valisère. E surgiram aqueles que desejam transformar os comerciais numa bula de remédio.

Cumpre aos publicitários valorizar o seu trabalho junto à sociedade. A publicidade tem o poder de educar. E faz isto com muita competência, em campanhas específicas. Poderia fazer mais, se houvesse a mentalidade de incluir, nas milhares de comunicações comerciais, algum conteúdo educacional. Não é impossível, nem mesmo difícil, incluir uma dica de hábito de vida saudável em um comercial de alimento; direção segura em comercial de automóvel, e assim por diante.

Recentemente, o Prezunic incluiu em suas mensagens uma série de atitudes entre fregueses que diziam respeito à boa convivência e cuidados com o meio ambiente. E não deixou de anunciar as suas ofertas. Basta a agência querer, ou o cliente brifar, que a boa idéia aparece.  

Pensem em educação. Os publicitários vão ganhar mais elogios do que críticas. E será um trunfo a mais em defesa da liberdade de expressão que todos defendem.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h55
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A BUROCRACIA ESTATAL E A GRIPE SUÍNA

Em 2004 escrevi em “O Capital Moral ou a Falta Dele” (Ed. Qualitymark) que a burocracia subverte a moral. Subverte porque o burocrata considera o papel mais importante do que a necessidade. E os seus tentáculos alcançam todos os meandros de um país.

Por exemplo, Fernando Henrique alardeava que iria fazer a maior reforma agrária do mundo. Até o Papa elogiou. Foi quando a revista Newsweek denunciou o fiasco, pois, segundo ela, pelo menos um em cada quatro assentados desistia do seu lote em dois anos. “No campo, o transporte é indigno de confiança, a eletricidade um luxo. Doenças como a malária e a dengue são freqüentes; só uma em cada duas famílias chegou a ver um médico. Cerca de 95% não têm água corrente potável...”

 

Muitas terras de assentados mudaram de donos na Amazônia. E é deles grande parcela da responsabilidade pelas queimadas que ocorrem lá.

 

E por falar em queimadas, certa vez presenciei uma reunião do Ibama, para discutir a sua prevenção no Estado do Rio de Janeiro. Algumas regionais tinham veículos, mas não tinham motoristas. Outras tinham motoristas, mas não tinham carros. Algumas não tinham gasolina. Ninguém tinha helicópteros, apenas o Exército, mas, no ano anterior, a verba que o Ibama conseguiu para o combustível dos vôos foi usada em manutenção, nenhum helicóptero saiu do chão.

 

Naquela época, o Brasil estava em 46º lugar dentre 59 países que gastavam mais tempo com a burocracia governamental.Quer outro exemplo? Gastaram mais de 30 dias para abrir uma conta bancária do Fome Zero; na área da seca, passavam meses cadastrando famílias que não viam chuva há dois anos. E, se alguém doasse algum dinheiro, a CPMF era descontada. É assim que a mentalidade burocrática funciona: as ações não são tomadas no espírito do certo e do errado. Na ânsia de controlar, o burocrata segue a lei e os regulamentos, por mais burros que sejam, ou então se recusa a fazer, até encontrar a forma que lhe pareça ideal. No meio do caminho, perde a sensibilidade.

 

E surge agora a gripe suína. Por não saber como controlar a venda do Tamiflu, fizeram o mais fácil: proibiram a venda. Em Curitiba, por exemplo, onde, devido ao frio, o número de casos já é alarmante, médicos particulares não podem receitar o medicamento. Tratam gripe suína como gripe comum e até que dá certo, quando a doença é branda. Mas, quando o caso é grave, o sujeito acaba morrendo. E, por falta do dignóstico laboratorial que é demorado, e que nem sempre as autoridades deixam fazer, o laudo acaba saindo como pneumonia mesmo. Lembra-se de que, quando surgiu a AIDS, pouca gente aceitava divulgar o diagnóstico e os pacientes morriam de pneumonia? Para não alarmar a população, e também por vergonha da sua própria incompetência, é o que o governo está fazendo agora. Na raiz do problema, apenas a incapacidade de promover um controle realista para a venda do Tamiflu.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 21h30
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MÍDIA  EXTERIOR VERSUS CIDADE LIMPA

Hoje vamos deixar a ética do campo filosófico, ou sociológico, para abordar problemas do dia-a-dia das nossas cidades.          
São Paulo oficializou o projeto  Cidade Limpa e a cidade ficou melhor, indubitavelmente. Até então, morando em  uma cidade confusa pelo próprio desenvolvimento, o paulistano ainda convivia  com uma profusão inesgotável de mensagens publicitárias, ocupando  desordenadamente o espaço urbano. Poluição visual sim, até porque a estética  dos equipamentos e das mensagens era questionável.
 
Deu certo em  São Paulo, provavelmente será bom para a nossa cidade também, raciocinam  prefeitos e legisladores em vários municípios do país. Errado. Nova York tem  os “spetaculars” na Broadway como um dos seus ícones de reconhecimento para  todo o mundo. Os cartazes dos ônibus que circulam pela cidade prestam serviços  aos cidadãos e aos turistas ao anunciar as novas atrações culturais de  Manhattan.
 
O mesmo se dá em Paris, considerada por muitos a  cidade mais linda do mundo. Lá também os ônibus são veículos de promoção das  artes e dos esportes, assim como de produtos e serviços que a população usa.  Os pontos de ônibus e outros equipamentos urbanos são bem construídos e bem  dispostos pela cidade com as suas mensagens. E o que seria do Metrô de Paris,  com todos aqueles corredores labirínticos, não fosse a arte publicitária que  lhes empresta colorido e movimento, além da informação? Um laboratório  farmacêutico promove, nesta primavera, uma campanha de prevenção da hepatite B  em grandes cartazes nas estações do Metrô de Paris. É ruim? Ou será que alguém  poderia encarar uma campanha assim como poluição  visual?
 
Conceitualmente falando, cabem três observações  importantes sobre a atividade publicitária que, embora possam encerrar  discussões, têm prevalecido nas teses de intelectuais e dos profissionais de  comunicação:
a)- no regime capitalista em que vivemos, a cidadania não é  alcançável sem o consumo. Este deve ser consciente e sustentável, mas não pode  deixar de existir;
b)- desde que responsável, não é constitucional nem  desejável limitar a liberdade de expressão;
c)- a publicidade tem um  compromisso com a estética.
 
Pelo que raciocinamos até agora, a  publicidade é desejável quando informa com responsabilidade, quando promove as  artes e os esportes, quando promove campanhas de utilidade pública, quando  embeleza o ambiente.
 
Então, o que é melhor? Visualizar um prédio  sujo, com o reboco descascando, no centro da cidade, ou ver aquela mesma  parede com a reprodução de uma obra de arte patrocinada, ou com uma simples  mensagem publicitária de bom gosto? Paris tem mensagens publicitárias em  muitos pontos da cidade, mas de forma ordenada, sem interferir na visualização  do que deve ser preservado. A organização é a tônica. Diferentemente do Rio,  por exemplo, não tem bancas de jornais se encontrando com as mesinhas dos  cafés, subvertendo os direitos dos pedestres. Também não tem bares destinados  a exibir jogos de futebol com os monitores de TV voltados para a rua, criando  torcidas exaltadas debaixo das janelas dos apartamentos de moradia. E se a  nossa desordem está por toda parte, pode surgir nas mensagens publicitárias a  toda hora.
 
Organizar é mais difícil, muito mais difícil do que  proibir, principalmente quando se sabe que parte dos exibidores de mídia  exterior está inadimplente quando ao pagamento dos impostos e taxas à  prefeitura do Rio, por exemplo. Mas é bom lembrar que, com a proibição  generalizada, até São Paulo perdeu. Agora procuram-se patrocinadores para a  manutenção de jardins, em troca de plaquinhas com os nomes das empresas  colaboradoras. Perderam-se espaços muito mais valiosos, que poderiam conviver  harmonicamente com as características da cidade, gerando receitas e prestando  serviços à população. A publicidade é uma prestação de serviços. 
 
Finalizando, uma idéia simples, que pode ser proveitosa para  todos: a exploração do espaço urbano não é uma concessão pública, assim como  uma emissora de TV? Então, que a concessão reserve para o poder público x dias  por ano para veicular mensagens de interesse público. Campanhas de  esclarecimento sobre a Gripe A, por  exemplo.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 12h10
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OPOSIÇÃO NO BRASIL É O CRIME – PARTE 2

Em primeiro lugar, cabe tipificar o que é crime organizado. Vejamos o depoimento de uma adolescente, que saiu no UOL Notícias:
"A violência começou depois que mataram três rapazes. O comando do bairro pediu vingança. Foi aí então que tudo começou. Um rapaz chamado Alemão, que comanda o bairro de Paraisópolis ajuntou um tumulto de traficantes, e eles começaram a atacar. Ao chegar a polícia todos correram e começaram a botar fogo."
A notícia ainda dá conta que neste arremedo de paraíso atuam ONGs, procurando dar alguma assistência aos necessitados, como também milicianos, que lutam pelo poder com os traficantes.

Esta situação parece organizada para você? Para mim não parece.

O que soa como uma organização formidável é o Congresso Nacional. Teoricamente eleitos para nos representar, num regime democrático que muitos consideram exemplar, mas que, como diria o especialista em política Jackson Vasconcelos, não passa de uma “Democrisia”, vossas excelências entraram em todo tipo de acordo e colocaram o PMDB na presidência do Senado e da Câmara. Dezenas de partidos apoiaram essas escolhas. Não há espaço para mais nada, a não ser novos acordos nas futuras votações, segundo os interesses do poder.

Interesses que passam longe das nossas necessidades, quase sempre atendidas de forma ilusória. Basta dizer que o Governo empenhou apenas R$ 18,7 bilhões em obras do PAC em 2007 e 2008, dos quais R$ 11,4 bilhões foram efetivamente pagos.  A promessa, que dificilmente será cumprida, é de R$142 bilhões até 2010.

E se há um deputado capaz de construir até um palácio para sua própria moradia, e ainda ser nomeado corregedor, onde está o crime organizado? Em Paraísópolis ou em Brasília?

A meu ver, em Paraisópolis só vamos encontrar a única oposição que existe neste país, se bem que completamente desorganizada: o crime exercido pelos pobres que não aceitam a sua condição social.


OPOSIÇÃO NO BRASIL É O CRIME – PARTE 1 (ESCRITA EM 02.12.06)

Estou chegado a dizer que a sociedade brasileira está funcionando assim. Em cima, temos os ricos, as grandes empresas, os políticos, os "donos" das estatais, o judiciário. É um conluio quase generalizado, pressão daqui, financiamento dali, doação de lá, uma feira de benesses. Entre os políticos, a palavra da moda é coalizão. Dizem que vão garantir a governabilidade. Deveria ser bom, pois a cooperação, teoricamente, é melhor do que a competição. Mas, na verdade, o que estão fazendo é uma série de acordos para que os participantes não percam a oportunidade de se beneficiar do poder. Ninguém pode ficar de fora. Orestes Quércia e Moreira Franco sentam-se à mesa com Lula e Tarso Genro; Aécio Neves e José Serra são chamados para reunir apoios. Sergio Cabral chama alguns competentes para o seu secretariado, mas mantém parte do que é do Garotinho, ao mesmo tempo em que dá as mãos a Cesar Maia...

Política é assim mesmo? Pode ser, mas que soa esquisito, isto soa.

Abaixo da classe mais poderosa, tem a turma que gravita em torno dela,
procurando negócios. Muitas ONGs, inclusive. O nome do jogo é dinheiro, o objetivo do jogo é lucrar – o livro de regras ninguém escreveu ainda.

Depois vêm os chamados homens de bem, ou maioria (será uma minoria?) silenciosa. Este pessoal quer distância do cipoal aí de cima, por isso não participa da política. Mas é de uma ingenuidade cavalar. A cada eleição, corre lá, dá o seu votinho, legitima uma pseudo-democracia que elege Collors e Malufs, bota toda a corriola na legalidade. Tem gente que vai votar até em cadeira de rodas, subindo escadas. Tem uns velhinhos, coitados, que não se agüentam mais de dor nas costas, mas vão lá, com as suas bengalas, votar por um Brasil melhor, sob os aplausos da mídia – “Brasil Cidadão!”

Já notou, caro leitor, que até agora não há oposição? E ainda temos os pobres, humildes, precisados de emprego ou de Bolsa Família, que também não fazem
oposição.

Chego à triste conclusão que na oposição o Brasil só tem o crime. Não o lá de cima, que está no poder, mas o daqui de baixo. Temos o confronto à propriedade, como o MST, recebendo subvenção do Governo, e a oposição pra valer, nascida das piores sarjetas que a própria sociedade criou: oposição no Brasil é Marcola, PCC, Beira Mar e outros. Se algum dia se estruturar em torno de uma liderança, bota fogo no Brasil, como começou a botar em São Paulo. Olha só o que o Marcola declarou em O Globo, quando perguntado se era do PCC:

“Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... Vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...”

Olha, se as pessoas de bem não resolverem participar da política e emprestar um pouco de moral ao resto da turma, o futuro não será nada auspicioso...



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 14h55
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O ESTADO ESTÁ LONGE DE NOS ATENDER

O Estado, seja ele qual for, legitima a burocracia. E a burocracia subverte a moral. Subverte por criar entraves ao cidadão que lhe tiram a dignidade. A burocracia parte do princípio de que o papel é mais importante do que a necessidade. Na ânsia de controlar, o burocrata se recusa a fazer e perde a sensibilidade. Além de favorecer a corrupção. Segundo Gustavo Krause, "a burocracia deixou de ser instrumento de poder e passou a ser o próprio poder, um podre poder..."

O Estado promove guerras e manda seus jovens para guerrear. O Estado legitima as guerras e as mortes, o que está refletido em quase todos os hinos nacionais, cantados com emoção por pessoas que não avaliam bem o que estão dizendo.

Aqui no Brasil, por absoluta incompatibilidade com a competência, a burocracia joga milhares de pessoas nas filas todos os dias, até mesmo para o atendimento hospitalar.

A burocracia militar chega ao ponto de colocar um ex-pracinha com mais de 80 anos de idade a esperar atendimento por aproximadamente 7 horas. Motivo do processo: provar que está vivo e mudar a praça de recebimento dos benefícios do Rio de Janeiro para Belo Horizonte.

A burocracia subtrai a dignidade também porque não acredita no ser humano. Cria carimbos, firmas reconhecidas, declarações atestadas por cartórios, tudo absolutamente desnecessário, trabalhoso e caro, além de compulsório.

As leis, que regulam as nossas relações, estão sempre a reboque da realidade. O que não existe ainda não está regulado, o que é criado hoje só será regulado amanhã. E nem sempre com propriedade. Muitas leis existem apenas para proibir, sem criar alternativas para quem foi proibido. Um exemplo marcante está nas grandes cidades. Onde está o emprego para quem não pode mais ser camelô?

Do outro lado estão os impostos. A carga tributária inviabiliza a maioria das empresas, mas, se houver atraso nos pagamentos, os juros e as multas superam a imaginação do maior dos agiotas.

O Estado quer combater a informalidade, mas se esquece de que ele é o maior dos informais, pois arrecada grande parte do PIB e não cumpre a finalidade a que se destina, que seria proporcionar desenvolvimento, ordem, bem-estar e sustentabilidade. O que o Estado faz, sendo regiamente pago, é apenas um arremedo do que deveria fazer.

Em resumo, o Estado brasileiro, enquanto permanecer incapaz, é a instituição mais danosa com a qual somos obrigados a conviver.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h45
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DOAR O QUE NOS FAZ FALTA

A moral capitalista sempre acreditou que era viável, até mesmo desejável, que os mais aptos tirassem os menos aptos da cena econômica.
__ Seja competitivo, diziam os administradores, e ainda dizem.
Por outro lado, jamais procuraram avaliar a dor e o sofrimento das famílias afetadas pela perda de empregos ou dos seus negócios, se é que isto é possível.

A moral capitalista segue a crença de que a evolução se dá quando os indivíduos mais aptos se sobrepõem aos mais fracos e vão apurando as espécies. Poucas ponderações foram aceitas até agora, como aquelas que defendem nossa inserção em um conjunto biológico sistêmico, em que é a cooperação que determina a evolução, e não o contrário.

No cenário atual, a posse do dinheiro confere o poder, e a busca pelo dinheiro gera a competição irracional que sacrifica o meio ambiente e a felicidade. Sustentabilidade passou a ser uma palavra de efeito, pura e simplesmente uma grande quimera. Nosso mundo ainda é de exploradores.

Mas vamos transpor certas realidades para dentro das nossas casas. Grande parte das famílias já sofreu seus apertos econômicos e financeiros, mas nem por isso deixou de dividir. Os pais de família, naquele momento, doavam aos seus filhos o que lhes fazia falta. Este é o grande sentido humanitário, muito diferente de reunir um monte de roupas e brinquedos usados e enviar para as vítimas das enchentes. Nada contra, porém pífio.

Doar o que faz falta versus doar o que está sobrando. Dedicar tempo e recursos que vão fazer falta para quem tem menos. Entender o sentido da teia da vida (Vide Fritjof Capra), empreender cooperação no lugar de competição.

Esta é grande mentalidade que nos falta para o combate à corrupção, para formarmos um país mais construtivo, para cooperarmos continuamente e para combatermos as desigualdades sociais: doar o que nos falta, não apenas em casa, mas também fora dela.


 



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 12h31
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MENSAGEM RECEBIDA DO ANALISTA JACKSON VASCONCELOS (www.estrategiapolítica.com.br)A RESPEITO DO ARTIGO ANTERIOR - A FAVELA É FORMAL OU INFORMAL?

-----Mensagem original-----

De: jackson@estrategiapolitica.com.br
[mailto:jackson@estrategiapolitica.com.br]
Enviada em: terça-feira, 8 de janeiro de 2008 08:33
Para: Marcelo C.P. Diniz
Assunto: Re: ENC: INFORMALIDADE E POBREZA

Marcelo, como sempre, muito bom o texto, com conclusão simples: não há
informais e se poderia ir além para dizer que, na verdade, informais
são os governos, porque não cumprem o papel que a sociedade lhes
destina e pelo qual paga regiamente. Meu forte abraço.
Jackson



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 18h48
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A FAVELA É FORMAL OU INFORMAL?

Nos últimos meses, tenho presenciado vários debates, alguns oficiais, outros não, colocando a informalidade como a grande vilã da história. Por causa dela não se produzem mais empregos, por causa dela não se arrecadam os impostos necessários para o pleno exercício das políticas públicas. A informalidade alimenta o crime, promove a ocupação desordenada das ruas, é feia, faz sujeira, faz barulho.

Parodiando o Ancelmo Goes, “é, pode ser”. Não entendo o suficiente de economia, muito menos do crime, para me confrontar com essas opiniões. Mas gostaria de olhar a realidade sob um outro ponto de vista.

Vou pegar o exemplo de uma empregada doméstica que mora na Rocinha, em algum beco que vai dar na Estrada dos Boiadeiros, sem direito a laje. Ela acorda às 4 horas da manhã e pega uma condução até a Lapa, onde faz faxina numa loja de móveis. Termina por volta das 10 e vai para uma casa de família em Copacabana, onde trabalha até às 5 ou 6 da tarde. Volta para a Rocinha para cuidar do marido e de 3 filhos pequenos, dentro de um orçamento familiar aproximado de R$1.600,00 mensais. Nas suas idas e vindas, ela não pergunta se o ônibus é pirata, ou se a Van é pirata. Ela precisa chegar. E, formal ou informal, o transporte paga ICMS sobre o combustível e, se emplacou, paga também IPVA, transferindo seus custos para a passagem dela, com certeza.

Aonde eu quero chegar? Eu quero dizer que não há IOF especial para pobres quando eles financiam uma geladeira, ou uma televisão. Também não há isenção de IPI na hora de comprar um par de Havainas; nem ICMS mais baixo sobre alimentos e serviços.

Então, algum economista por favor me diga quanto paga a população favelada do Rio de Janeiro apenas naqueles impostos que ela não pode viver sem eles? Porque são os mesmos impostos dos quais os informais também não escapam, já que a trama fiscal é tão grande que desses ninguém consegue escapar.

Eu vejo que a solução do problema dos favelados, formais ou informais, depende muito da mentalidade de quem pode fazer alguma concessão por eles. Os argumentos costumam ser terríveis:
__ Lá só tem bandido.
Esquecem-se de que o crime e as milícias se criam onde o poder público se ausenta. E emendam:
__ Eles simplesmente não existem, não pagam IPTU; a luz deles é gato, eles não contribuem para a melhoria da cidade.

Voltando à empregada doméstica, ela faz parte de um problema muito maior chamado Brasil. Chegou ao Rio vinda do interior da Paraíba, fugindo da seca. Já foi informal, hoje é doméstica com carteira assinada. E o marido é autônomo, vive de bicos. O cômodo onde mora não tem mais do que 20m2, representando uma economia necessária para pagar a “Dona” que toma conta dos meninos, entre outras necessidades. Imagine se, além do IPI, do ICMS, do IOF e outras taxas, tivesse também que pagar o IPTU por uma rua que não existe, um esgoto a céu aberto, uma Comlurb que não passa. Imagine se a Rocinha não houvesse, e a segunda opção fosse a fome do sertão da Paraíba.

Ah! Me esqueci. A luz dela é gato, prejudica o serviço público da cidade inteira. O que pouca gente sabe é que os gatos das favelas não são os maiores responsáveis pelas perdas da Light. Perde-se muito mais com os chamados “gatos gordos” da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Zona Oeste e todos nós pagamos a conta.

E, gato por gato, onde estão os grandes sonegadores, os responsáveis pelas negociatas de todas as espécies, e os gatos de barrigas imensas que atacam os orçamentos de todas as instâncias dos governos?

A impressão que eu tenho é que o crime cresce e se alimenta na informalidade porque o país mantém os “gatinhos” desassistidos. Ao mesmo tempo em que os “gatões” andam por aí, cinicamente, famelicamente, dilapidando o patrimônio da sociedade, furtando o dinheiro dos impostos que a nossa empregada também paga.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 14h17
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A DESIGUALDADE SOCIAL E A ESTÉTICA DAS CLASSES A E B

 

Alguém já escreveu que nada emociona mais do que a beleza. E o que é beleza, afinal? Antigamente, esta palavra era utilizada para denominar exatidão, precisão. Mais tarde, evoluiu para significar simetria. Na realidade, a beleza é uma percepção individual caracterizada pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção é influenciada pelo contexto, pelo ambiente cultural, pelos costumes.

Na sociedade moderna, os ideais de beleza têm sido ditados pela mídia e chegamos a tal extremo que a magreza foi valorizada a ponto de gerar modelos doentias. Porém, mulheres gordas podem ser consideradas lindas em algumas ilhas do Pacífico, negras são belíssimas na África, amarelas são maravilhosas na Ásia.

Neste ponto, é oportuno citar a estética, que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Filósofos antigos, como Platão e Aristóteles, diziam que a essência do belo seria alcançada identificando-o com o bom e o verdadeiro, tendo em conta os valores morais.

Filosofia à parte, eu chego na janela do meu apartamento e vejo estacionadas duas kombis para frete, mal conservadas, meio sujas, com um carregador encostado: descamisado, barrigudo, bermuda, chinelo de dedo, barba por fazer. Bem próximo está um carrinho que vende pão com manteiga e se protege da chuva com um daqueles plásticos azuis amarrado numa árvore.

Meus ideais de beleza estão definitivamente chocados. E aquilo tampouco é estético. É preciso dar um jeito de tirar esses caras da minha rua. Quem sabe se eu falar com alguém que seja influente na Prefeitura? Quem sabe se eu tirar umas fotos e mandar para a coluna do Ancelmo, será que ele publica? “Desordem urbana” seria um bom título.

Olha o preconceito aí, gente!

Vamos inverter o raciocínio: por que a rua é minha? Por que o cara de chinelo de dedo não pode trabalhar por aqui? E o ambulante, coitado. Também não está ganhando a vida?

Pois é. Sempre que segregamos, sempre que tendemos a tirar os menos aptos da cena econômica, às vezes em nome de uma estética culturalmente duvidosa, estamos lutando pela desigualdade social.

A responsabilidade social, ainda incipiente, tornou-se palavra de ordem em muitas empresas. Mas tem muita gente que se dispõe a colaborar desde que não suje as mãos. Preto e pobre, só se for de longe. Soube de uma escola de classe média que tinha um programa de educação voltado para crianças de comunidades carentes. Quando resolveu fazer uma interação dessas crianças com os seus próprios alunos, os pais estrilaram na hora.

__ O que autoriza a senhora a julgar que os meus filhos devam conviver com esses meninos pobres, filhos sei lá eu de quem?

Aqui vale lembrar um personagem maravilhoso: ele é verde, grande, feio e fedido... mas, no fundo, esse ogro de aparência assustadora é extremamente simpático e bonzinho. O nome dele é Shrek e, com toda a sua “feiúra”, conquistou os corações de milhões de adultos e crianças nos cinemas de todo o mundo.

 

Shrek veio para confirmar que o nosso ideal de beleza, na realidade, não é aquele vendido pela mídia. Nós queremos o bom, o verdadeiro, a simpatia, o amor. No Brasil, o que mais temos são ogros. Mas, se não vamos até eles, como saber?



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h21
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS E NOVAS OPORTUNIDADES

Foi na década de 50 que Aldous Huxley, numa série de conferências na Universidade da Califórnia, nos alertou para a “Situação Humana”. Era o primeiro grito de grande repercussão que nos alertava para o fato de que o homem não podia subjugar a natureza com tamanha intensidade.

E, na década seguinte, um segundo guru, Peter Drucker, afirmou que a ecologia só seria viável quando passasse a dar lucros.

A consciência ecológica efetivamente cresceu e muita gente teve ganhos de imagem ou mesmo lucros financeiros e econômicos com ela. Desgraçadamente, porém, soube-se que os efeitos climáticos que vivemos hoje são o fruto do acúmulo de poluição que vem desde a década de 60. E que as gerações futuras sofrerão muito mais, caso não sejam tomadas medidas drásticas a partir de agora.

Não se trata mais de saber se a ecologia vai dar lucros. Trata-se de contabilizar prejuízos. Para citar só um exemplo, no artigo intitulado “Tides Turning”, assinado por Suzanna Schrobsdorff, da Newsweek, ela reportou: .

"As seguradoras anunciaram planos de estabelecer uma força tarefa de mudanças climáticas sob os auspícios da National Association of Insurance Comissioners. As companhias de seguros tiveram um recorde de perdas de US$30 bilhões com os furacões de 2004 e de mais de US$60 bilhões em 2005 apenas com o Katrina."

Há inúmeros desastres previstos até 2050. Até 2100, nem é bom pensar: desertificação, falta d’água, perda de colheitas, enchentes nas regiões costeiras, perda de biodiversidade, etc., etc., etc. Acontece que a inteligência humana é capaz de criar soluções, mesmo que sejam paliativas.

O grande exercício do momento, penso eu, é encontrar oportunidades nessas crises que virão, seja com as mudanças climáticas, seja com outras novas realidades que estão surgindo. Vejamos:

1. AS MUDANÇAS - PETRÓLEO

O petróleo está ficando muito caro, seja pela entrada da China e outros emergentes no mercado mundial, seja porque suas reservas são finitas.

AS CONSEQUÊNCIAS

Busca-se o desenvolvimento de energias alternativas, menos poluentes. A petroquímica deve ser a utilização mais nobre reservada para o petróleo. Se a biomassa e o etanol se tornarem muito importantes na nova matriz energética, é de se esperar que as terras subam de preço, pois não será aceitável pela sociedade plantar onde hoje são florestas. O açúcar e o milho ficarão muito caros, assim como todos os produtos da indústria de doces. Também a carne ficará muito cara.

AS OPORTUNIDADES

Novos meios de se produzir carne, açúcar e milho mais baratos.
Meios de transporte não dependentes de petróleo: trens, metrô, bicicletas, energias alternativas, tração animal.
Se os produtos petroquímicos também encarecerem, reparemos que eles estão em toda a nossa volta. Teremos que encontrar materiais alternativos: aço, vidro e madeira são os mais conhecidos hoje. Terão que vir de produção sustentável.

A imaginação será um atributo muito importante numa época de tantas mudanças, seja para inventar soluções, seja para prestar serviços. A capacidade de dar bons conselhos ou gerar entretenimento terá grande valor no campo profissional de serviços, porque muita gente estará deprimida com as suas perdas e a incapacidade de lidar com as mudanças.

2. AS MUDANÇAS NO CLIMA

Já exaustivamente comentadas em toda a mídia.

AS CONSEQUÊNCIAS

O custo dos desastres climáticos estará perto do insuportável. A saúde irá piorar e haverá grandes perdas na agricultura e em várias outras atividades humanas.

AS OPORTUNIDADES

Háverá migração para cidades mais seguras e de clima mais ameno.
Podemos esperar uma verdadeira avalanche de novos produtos: homens não conseguirão mais usar ternos, mulheres não conseguirão usar terninhos, a moda vai mudar, assim como os tecidos. Mudaremos também para uma alimentação mais leve no verão, para novos cosméticos, até mesmo as academias de ginástica deverão orientar exercícios físicos mais leves. As temperaturas mais altas influenciarão também o design, a arquitetura e os sistemas de ventilação e refrigeração.

3. AS MUDANÇAS NOS INVESTIMENTOS

A consciência ambiental irá gerar lucros e procurar evitar prejuízos.

AS CONSEQUÊNCIAS

Muitas pessoas irão agir como policiais com respeito ao meio ambiente. Haverá maior responsabilidade em relação ao consumo, ao uso da água, da energia, do lixo, etc.

AS OPORTUNIDADES

Oferecimento de energias limpas. Serviços de recolhimento e reciclagem de lixo. Bolsas de Valores orientadas para os investimentos e as empresas socialmente responsáveis.

O consumo responsável, se chegar para valer, vai mudar radicalmente a publicidade e a mídia.

(continua...)


Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h09
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ESMOLAS – CONSCIÊNCIA E LÓGICA

                         

São tantos os pedintes nos sinais luminosos das grandes cidades, que geraram diversas atitudes entre os motoristas:

 

__ Eu não dou esmola, não abro o vidro do carro, até por uma questão de segurança.

__ Eu não dou esmola, porque estimula a mendicância. Quando vou ajudar, procuro uma instituição de caridade.

__ Eu tenho muita dó de muita gente, coleciono moedas no console do carro para dar aos mais necessitados.

__ Às vezes compro alguma coisa, para ajudar.

 

E por aí vai...

 

O que nem todo mundo sabe é que o assistencialismo é necessário sim, quando o sujeito está abaixo da linha da pobreza. Se não houver assistência, ele jamais vai se levantar do chão, e se não houver políticas públicas para fornecer os meios de alcançar os primeiros degraus de uma vida digna, também não. Quem quiser estudar o problema em detalhes, leia “O Fim da Pobreza”, de Jeffrey Sachs (Cia. das Letras). Soluções simples, para acabar com este martírio em todo o mundo até 2025.

 

O que também nem todo mundo percebe é que não adianta dar apenas o que está sobrando. É necessário dar o que nos faz falta, dividir oportunidades, dedicar tempo à melhoria de vida dos mais necessitados.

 

Há um programa chamado Junior Achievement, por exemplo, que busca voluntários nas empresas, através de convênios, para ensinar e despertar o espírito empreendedor de jovens em escolas municipais. Já atendeu mais de 60 mil alunos, tem mais de 3.000 voluntários no Brasil.

 

Por outro lado, vemos centenas de jovens que acabaram de passar no vestibular esmolando pelas ruas, dizendo que vão fazer uma festa dos calouros. Muita gente acha graça e contribui. E aqueles que deveriam aprender a contribuir para a melhoria da sociedade, pelo contrário, aprendem a esmolar, com a maior alegria.

 

Triste é o país que ainda vive como se o longo prazo não fosse acontecer...



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 15h50
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