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O CAPITAL MORAL
 

AS FORÇAS DA SUSTENTABILIDADE

Existe uma demanda reprimida pela ética no Brasil. Basta verificar as cartas dos leitores dos jornais ou as diversas manifestações na internet, como as repercussões do Ficha Limpa, os movimentos voluntários em apoio à Marina Silva, o Museu da Corrupção e muitas outras.

Na realidade, não é de hoje que a sociedade vem se conscientizando para o bem em todo o mundo. A responsabilidade socioambiental já ganhou as academias, bibliotecas, imprensa, ONGs, empresas privadas e públicas, até mesmo ações de governo, de forma consistente, em muitos lugares.

É o que poderíamos chamar de epidemia do bem, ganhando cada vez mais espaço em corações e mentes. Aqui no Brasil, o Instituto Ethos, o WWF, a Natura e a proposta política de Marina Silva e Guilherme Leal estão entre os muitos exemplos do que podemos chamar de “ponto de desequilíbrio” em relação a um país de práticas nocivas de corrupção, capitalismo selvagem, desigualdade social e desenvolvimento insustentável.

Nós temos, portanto, várias forças trabalhando pela sustentabilidade. A proposta é, por si só, sinérgica. Mas a sinergia não é planejada.

  1. Vamos começar pelo inventário de ações e atores com o mesmo objetivo.
  2. E qual seria esse objetivo? Vamos descrever em detalhes o que queremos, para saber como realizar.
  3. Vamos atuar firmes na política. Ainda não temos uma bancada da sustentabilidade que faça a diferença. Só para citar um exemplo, o Cristóvão Buarque, que não é do PV, participaria, certo? Sustentabilidade também é educação. E, se estamos falando de médio e longo prazo, é necessário criar mais lideranças, além da Marina Silva.
  4. Vamos coordenar os esforços das empresas, buscar financiamentos, inclusive.
  5. O Instituto Ethos poderia cumprir o item 4, ou não? O Instituto Ethos é referência. E como vamos coordenar os esforços das diversas ONGs para a responsabilidade social?
  6. Especificamente quanto ao meio ambiente, qual seria o papel do WWF em relação às outras ONGs? E à política? E à classe empresarial?
  7. A Natura deve liderar a classe empresarial em relação a esta nova economia? Como assumir essa liderança?
  8. Qual é a comunicação e quais são as parcerias necessárias para dar visibilidade às ações e aos atores, inclusive para reforçar lideranças?

É também importante considerar que o Brasil tem um contingente enorme de analfabetos funcionais e que eles só podem ser motivados pelos veículos de massa. É fundamental conseguir a adesão da TV e do rádio, se não quisermos ficar restritos às classes A, B e parte da C.

EM OUTRAS PALAVRAS, TODOS SERIAM MELHOR SUCEDIDOS SE ASSUMISSEM UM TRABALHO DE SINERGIA PLANEJADA.

E como iniciar esta Sinergia Planejada entre todas as forças da Sustentabilidade? A ABAP – Associação Brasileira de Agências de Comunicação deu um bom exemplo prático, há dois anos atrás, quando promoveu o IV Congresso Brasileiro de Publicidade. Elegeu como tema principal a liberdade de expressão, formou uma frente parlamentar em defesa da sua atividade e reuniu todas as entidades interessadas no Forcom – Fórum de Comunicação, que passou a ser permanente.

Um dos resultados foi a criação dos Indicadores de Sustentabilidade da Comunicação, junto com a ESPM, que estão em Consulta Pública atualmente.

Não seria o caso de pensarmos também em ações práticas que produzissem ainda melhores resultados para as Forças da Sustentabilidade?

FALANDO DE POLÍTICA PROPRIAMENTE DITA

A grande liderança que nós temos nessa área é Marina Silva. Mas a gente precisa trabalhar com a noção exata das coisas. O governo brasileiro é um coletor de impostos que gasta ou investe como quer e aonde quer, é leniente com a corrupção, administra uma enorme folha de pagamentos (máquina pública / previdência), a dívida pública e a moeda. É muito pouco para as expectativas do eleitor, que vota de quatro anos, mas contribui todo dia e, de acordo com a nossa cultura, espera poder cuidar dos seus problemas particulares enquanto o pai-governo cuida do Brasil.

Outra observação importante é a seguinte: os ricos têm o dinheiro, os pobres têm o poder – um homem, um voto. Por mais que se fale em saúde, educação, segurança ou sustentabilidade, nas últimas eleições venceu o bolso do pobre: Plano Real, crescimento econômico, bolsa família.

Numa abordagem simplista, a sustentabilidade precisa ser explicada do ponto de vista do dinheiro. Melhor dizendo, precisa ser traduzida em vantagens econômicas para as classes C, D, E de forma muito clara.

E o povo precisa passar de contribuinte a protagonista do governo, para que haja crédito aos seus líderes.

Que ações práticas podemos tomar?

 

 



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 10h03
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BULLYING. SERÁ QUE NÃO ESTÃO EXAGERANDO?

Resolvi falar desse tal de bullying que, para mim, chega a ser incompreensível em muitos aspectos. Que me expliquem, por favor, os psicólogos. O Globo de 18/4/2011 traz uma pesquisa dizendo que 40,4% dos alunos matriculados até a oitava série nas escolas do Rio dizem ter sido vítimas de buylling. Por exemplo:
- apelidos que magoam – 42,7%
- deboche coletivo – 18,8%
- ofensas pessoais – 13,7%
- humilhações públicas – 9,9%
- mensagens agressivas na internet – 1,2%
E, após tudo isso, a agressões físicas (13,4%) e outros (0,3%).

Eu não posso falar das escolas de hoje porque não as conheço. Mas posso dizer como era no meu tempo. Antes de mais nada, ninguém me levava pra escola. Eu ia a pé, de bonde ou de ônibus. Aprendi a me orientar sozinho.

Também não tinha celular para ficar esclarecendo minhas próprias dúvidas a cada minuto, nem para ficar dando satisfações: estou aqui, estou ali, faço isso, faço aquilo. E sempre que eu fazia algo errado em casa, meus pais me batiam. Quando os colegas me batiam na escola, eu batia de volta. Não era nenhuma novidade pra mim.

Me deram também um apelido que eu não gostava: Caubi. Caubi é um cantor supostamente homossexual. E eu não queria ser comparado com ele. O apelido surgiu porque eu gostava mais de ficar no meio das meninas do que no meio de meninos. A técnica: não responder ao apelido. Passou. E agora, que jogue a primeira pedra quem nunca foi xingado ou humilhado. Por que não xinga de volta?

Francamente, queridos pais, limitem o uso do celular nas mãos dos seus filhos, essa verdadeira muleta que inibe o pensamento e a tomada de decisões próprias, deixem eles andarem sozinhos na rua e se virarem. A cidade é violenta, eu sei, mas é a que nós temos. E, mais cedo ou mais tarde, vão nos assaltar, vão roubar nossos carros, vão nos oferecer propinas, vão pedir propinas – é melhor que a gente seja auto didata nisso também: “sobrevivência na selva urbana”.

Eu realmente não posso levar a sério um neto que chega em casa chorando porque um colega debochou dele. Só posso me preocupar pelo fato de que ele ainda não desenvolveu auto estima, ousadia, auto confiança, iniciativa, energia. Isso sim, eu posso tentar melhorar. Ir à escola para resolver um problema que é dele, jamais.

Agora vem a parte mais difícil: agressões físicas. Estamos falando de crianças ou adolescentes do mesmo tamanho? Bate de volta. Sem medo. É um grande batendo no pequeno? No meu tempo a gente apanhava uma pedra e tascava no sujeito. Eu sempre fui meio desajeitado, jamais acertei pra valer. Mas tinha amigos que tiraram sangue da testa de muitos valentões. Um bom chute na canela também funcionava como passaporte para a dignidade. Mas hoje é diferente, eu sei. Os garotos são muito mais fortes, alguns andam até armados. Nesses casos, pedir ajuda é necessário. Mas precisa ter coragem pra pedir ajuda também.

(publicado Ontem por Marcelo Diniz em http://www.webartigos.com)



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 17h10
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CUIDADO! SUA LIBERDADE ESTÁ EM RISCO! (2)

Escrevi um artigo com este mesmo título, Curiosamente, eu considero este o mais importante artigo que já escrevi, mas por enquanto há poucos leitores.

Não sei se todos já atentaram. Estamos vivendo o perigo da “ditadura do bem”. São movimentos que se dizem “protetores da sociedade” e que influenciam agentes públicos para que se criem leis e regulações que vão interferir na nossa vida, inapelavelmente. E porque, teoricamente, defendem atitudes “do bem”, encontram eco entre os desavisados.


Desavisados são os que não conseguem ver como a sua vida vai perder a liberdade e a graça se as normas pretendidas forem aprovadas. No que se refere à saúde ou aos riscos de vida, por exemplo, a ditadura do bem encontra uma aliada poderosa, que pode ser muito mal utilizada. A Constituição Brasileira diz que todos nós temos direito à saúde. Dar todo tipo de assistência médica a 190 milhões de brasileiros parece meio utópico mas, vamos lá, tomara que um dia se consiga. O maior problema são as soluções para se cumprir o que está escrito. Os planos privados de saúde são, em parte, subsidiados pelo governo. Isto quer dizer que, mesmo que você seja rico, se não usar o cinto de segurança e for parar no hospital, o homem do povo vai pagar uma parte da conta. Pronto: arrumaram uma bela desculpa para me amarrar dentro do meu carro e acrescentar o valor do cinto no preço do carro. Logo no automóvel, um dos últimos redutos de liberdade do homem, onde ele pode gritar, xingar, cantar, amar, ir e vir, qualquer coisa.


Causar acidentes não pode, mas usar kit de primeiros socorros, cinto de segurança e outros artefatos que ainda vão inventar para alguém ganhar uma comissãozinha, isso pode.


É como disse o autor americano de “O Estado Babá”. Nos Estados Unidos, porque uma criança se afogou em uma piscina, criaram um aparato de segurança para todas as milhares de piscinas do país que custou uma baba aos contribuintes e tirou até a graça de nadar.


Quer outra? Por aqui, inventaram uma nova carteira de identidade. Eu não estou precisando de uma nova carteira de identidade mas, junto com 190 milhões de brasileiros, vou ter que entrar numa fila para tirar a nova. A justificativa: mais tecnologia, mais segurança, mais controle. Já pensou na comissão que pode envolver esse negócio?


Agora são os alimentos. Se eu quiser ser gordo, não posso ser, porque qualquer doença decorrente vai custar caro ao SUS. O preço pela falta do meu prazer em tomar um sorvete, no entanto, o burocrata “do bem” não vai pagar. Ele nem ao menos considera que o meu ser é uno: pode ter colesterol, triglecerídios, diabetes, mas com certeza também tem endorfina, mente, espírito, desejo, satisfação.


Nós não precisamos de mais Estado nas nossas vidas. Precisamos de menos. Menos impostos, menos interferências. E liberdade.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 09h22
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CUIDADO! SUA LIBERDADE ESTÁ EM RISCO!

Eu sou publicitário. Outro dia fui interpelado por uma senhora, dizendo que fazer publicidade para crianças é um absurdo, porque elas começam a cobrar dos pais o que estes nem sempre podem comprar.

Fiquei me lembrando da minha infância. Meus pais eram pobres e não havia televisão lá em casa. Mas os meus amigos brincavam com revólveres de espoleta, matando índios no velho oeste ou fosse lá o que fosse. E eu sonhava com um revólver daqueles. Então, escrevi uma carta para o Papai Noel e fiz o pedido. No dia de Natal, ganhei uma bola de borracha e uma carta do bom velhinho dizendo que eram muitas crianças para presentear, não foi possível atender todo mundo. Obviamente, tive que encarar a minha frustração. Por outro lado, não me consta que nenhum dos meus amigos tenha se tornado assassino porque brincou com revólveres de espoleta.


Mais tarde, na pré-adolescência, eu queria porque queria ganhar uma bicicleta. Todos os meus amigos tinham... e o meu pai deu um jeito de me arranjar uma. Nas primeiras voltas a corrente se desprendeu e um garoto que ajudou no conserto sentenciou:

__ Essa bicicleta é de segunda mão.
Fui aprendendo a lidar com as minhas carências. Hoje em dia, gostaria de ter uma Ferrari, mas ando de Metrô, gostaria de passar todas as férias na Europa, às vezes nem tiro férias. A vida real é assim ou não é? Será que as crianças modernas deverão viver numa redoma de vidro, sem informação alguma, sem estímulo algum, porque não podem aprender a lidar com carências? E os pais delas, não podem dizer não, pura e simplesmente, quando não quiserem atender aos seus pedidos?

Interessante notar que as carências acontecem pelo convívio social. A publicidade é apenas mais um estímulo que nem todos assistem. E poucos são os produtos que têm verbas para anunciar. Outros nem podem: se apenas da publicidade vivessem as vendas, o crack não seria consumido.


Agora vem esse movimento da comida saudável. Estamos engordando, então fora com os doces, as gorduras, os refrigerantes etc. etc. Ou seja, daqui a pouco eu vou chegar em Minas Gerais e não vou encontrar nem torresmo, nem linguiça, vou à Bahia mas não poderei comer uma moqueca com dendê, com leite de côco no Espírito Santo também vão proibir, não vai ter bala no avião da TAM, meu neto não vai ter o supremo prazer de saborear uma barra de chocolate, o mundo vai virar uma grande folha de alface – bem lavada, por favor!


E tudo isso por que? Porque os amantes da folha de alface querem interferir na liberdade de quem acha que prazer também é saúde. Se fosse uma ONG, ou uma campanha educativa pela alimentação x ou y, tudo bem. Cada um adere ao que lhe interessa. O problema é quando essas idéias castradoras passam ao âmbito do Estado. E os agentes do Estado, em nome do “bom mocismo”, querem tutelar a vida de todos.


Tem gente que acha que criança não deve assistir TV; outros acham que os videogames são nocivos. Mas há quem ache que essas mídias ajudam a desenvolver o intelecto. É um direito de opinião. Tem contra, tem a favor, nada é conclusivo.


O que não podemos deixar é que nos tirem a liberdade de escolha. Não quero ser um indivíduo idiotizado pela burocracia estatal. Quero ter o direito de comer o que quiser e puder, assistir o que quiser, educar meus filhos como quiser. E quem pensar diferente, que faça diferente. Mas não interfira na minha vida, por favor.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h14
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AS USINAS NUCLEARES E A ECOLOGIA

“A energia é a causa e o efeito do desenvolvimento. Se há possibilidade dela faltar, não há investimento nem crescimento. O crescimento nada mais é do que a energia transformada em bens e serviços”.
Delfim Neto

Como se sabe, o ambientalista James Lovelock foi quem criou a teoria Gaia, demonstrando que a Terra é um organismo vivo e que as agressões ambientais de um lado prejudicam o todo. Pois bem, James Lovelock é a favor da energia nuclear. E agora?


Com a finalidade de diversificar a sua matriz energética e garantir abastecimento de energia elétrica ao centro-sul do país, o Brasil resolveu entrar na era da energia nuclear em 1968. Angra 1 e 2 estão funcionando. Angra 3 em construção, algumas outras usinas estão projetadas.


Energia nuclear lembra Hiroshima e Nagasaki, lembra Chernobyl. E agora esta catástrofe no Japão, que uniu terremotos a maremoto e vazamento nuclear. O que vamos fazer para não viver à luz de velas? Como conciliar nossas necessidades de desenvolvimento com a segurança de viver?

Vejamos algumas preocupações do cidadão do século XXI.
1. Nós queremos respirar ar puro.
2. Nós não queremos aquecimento global.
3. Nós não queremos desastres climáticos.
A energia nuclear, hoje, evita a emissão de alguns bilhões de toneladas de monóxido de carbono na atmosfera. Nos próximos 50 anos, o planeta poderá ter por volta de 10 bilhões de habitantes. Esta explosão populacional, aliada ao crescimento econômico, aumentará drasticamente a demanda por energia. Se o petróleo não for substituído por energias limpas, estaremos sufocados.
4. Nós queremos fontes de suprimento que não se esgotem.
5. Nós precisamos preservar o petróleo para usos mais nobres.
Queimar o petróleo em termelétricas, por exemplo, significa reduzir a sua utilização na petroquímica e na produção de fertilizantes, prejudicando a nossa agricultura, fonte de alimentação.
6. Nós queremos a segurança de que o preço das nossas fontes de energia não vai aumentar. E uma energia com preços competitivos em relação às outras fontes.
O preço do barril de petróleo está subindo à medida que as reservas conhecidas se esgotam e que a sua exploração fica mais cara em águas profundas. As energias solar e eólica ainda não têm preços competitivos e são relativamente pouco exploradas. Mas as reservas de urânio, matéria-prima da energia nuclear, estão disponíveis por milênios (o Brasil tem a 6ª. maior reserva do mundo, com apenas parte do seu território prospectado até agora) e, mesmo que o seu preço venha a aumentar, isto terá impacto baixíssimo no preço da produção nuclear. Quando o preço do urânio triplica, o custo da produção de energia nuclear fica praticamente inalterado.
7. Nós queremos fontes de energia que não prejudiquem o meio-ambiente.
As usinas hidrelétricas também produzem energia limpa. Mas o seu impacto no meio-ambiente é muito grande. Enquanto a Central de Angra tem potência instalada de 2.007 MW e ocupa uma área de 3,3 Km2, Furnas tem potência instalada menor (1.312 MW) e ocupa uma área 437 vezes maior (1.442 Km2).
8. Nós não queremos novos apagões.
Os projetos para o setor elétrico no Brasil não são suficientes para atender uma demanda crescente. E a nossa grande matriz elétrica, a hidráulica, encontra dificuldades de licenciamento ambiental. Além disso, as fontes estão concentradas na região Norte, o que acarreta custos muito altos de construção e transmissão.
9. Nós queremos dominar a tecnologia. Precisamos de novos técnicos, e não só para a produção de eletricidade.
A tecnologia nuclear é aplicada em diferentes campos, em benefício da humanidade. Eliminação de pragas, esterilização e aumento do tempo de prateleira de vários alimentos, auxílio no diagnóstico e tratamento de doenças graves, limpeza de resíduos e poluentes na água e no ar e criação de processos para reduzir o consumo de energia são algumas das aplicações.
10. Nós queremos uma energia que seja segura para as nossas vidas.
Aqui está o x do problema. Quando técnicos do mundo inteiro diziam que Chernobyl não se repetiria, que as novas usinas eram seguras, veio essa tragédia japonesa para colocar todos com as barbas de molho. A energia nuclear é responsável por aproximadamente 20% da produção de eletricidade no mundo. Temos mais de 400 reatores em funcionamento em mais de 30 países.

E vem a pergunta-chave para toda a questão: qual o verdadeiro custo de cada energia que podemos utilizar?

1. Petróleo + poluição = US$ /barril
2. Hidrelétrica + alagamento + desmatamento = US$ / MW
3. Usina nuclear + lixo nuclear + taxa de risco de acidentes = US$ / MW
4. Energia solar + ? = US$ / MW
5. Energia eólica + ? = US$ / MW
6. Outras
Com a palavra os especialistas. Mas que não nos vendam gato por lebre, por favor.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h12
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CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA REVISITADA

Todos se lembram. O Rio de Janeiro sediou a Eco-92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento. Buscavam-se meios de conciliar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação e proteção dos ecossistemas da Terra. E alguns documentos importantes foram produzidos.
• A Carta da Terra, baseada nos princípios de que devemos respeitar e cuidar da comunidade de vida, manter a integridade ecológica, promover justiça social e econômica, democracia, não-violência e paz.
• As convenções da Biodiversidade, da Desertificação e das Mudanças Climáticas;
• A declaração de princípios sobre florestas.
• A Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento, ressaltando o princípio da sustentabilidade.
• A Agenda 21, uma base para que cada país pudesse elaborar seu plano de preservação do meio ambiente.
Milhares de filmes, anúncios e reportagens foram feitos depois disso, valorizando principalmente a natureza. A lição que ficou foi incompleta: pesquisa do Ministério do Meio Ambiente, realizada em 2003, mostrou que 67% da população brasileira não incluíam o ser humano em suas noções sobre ecologia.
E pouca gente sabe, até hoje, que “ecologia” é o estudo do lugar onde se vive. Nas regiões povoadas, onde “alguém” vive.

Mas um conhecimento mais abrangente foi expresso de forma impactante. O Copenhagen Consensus (2004), que reuniu nove economistas mundiais de grande prestígio, concluiu que os principais problemas ambientais deste planeta eram, pela ordem, a AIDS, a má nutrição, as barreiras comerciais e a malária.

Mais recentemente, em 2008, Jeffrey Sachs, conselheiro especial do Secretário Especial das Nações Unidas nas Metas de Desenvolvimento do Milênio, publicou “A riqueza de todos” (Nova Fronteira). Desenvolvimento sustentável, segundo ele, “significa prosperidade globalmente compartilhada e ambientalmente sustentável”. Para alcançá-lo, precisamos de tecnologias que permitam combinar altos níveis de prosperidade com impactos ambientais mais baixos, devemos estabilizar a população global, especialmente nos países mais pobres e é mandatório ajudar os países mais pobres a escapar da armadilha da pobreza com políticas globais.
A ONU prepara agora a Rio+20, que oferecerá uma chance ao mundo na luta contra a pobreza, segundo o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Sociais, Sha Zukang, que complementa: o encontro tentará fechar um acordo de transição para a “economia verde”, que deverá ajudar a reduzir o número de pobres no mundo.
Finalmente, colocamos o ser humano no centro das atenções. Não há nada que degrade mais a natureza do que a miséria e a doença.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h06
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O OTARIADO


O termo não é meu. A primeira vez que fiquei sabendo dele foi lendo um artigo do João Ubaldo Ribeiro. E nada mais próprio para definir todos nós, o otariado.
Vamos raciocinar: os impostos no Brasil estão beirando a casa dos 40% de tudo que produzimos, certo? No momento em que eu escrevia este artigo, o Impostômetro (www.impostometro.org.br) já caminhava para registrar R$104 bilhões apenas em janeiro/2011 e o mês nem ao menos acabou. Significa que este imenso volume de dinheiro vai para apenas três instâncias – municipal, estadual e federal – cujos administradores têm a incumbência de distribuir a riqueza, beneficiando toda a sociedade. Eu diria que, na hipótese de serem todos honestos e bem intencionados, nem que eles tivessem dons divinos seriam capazes de bem cumprir tarefa tão grande e complexa.
Desse dinheiro todo, quanto você acha que volta para nos beneficiar? O impostômetro nos diz que poderiam resolver o déficit de casas populares, ou poderiam resolver o problema do saneamento básico, que é também de saúde, e assim por diante... Mas eles não fazem, nem vão fazer, porque antes têm que custear a máquina pública, têm que pagar salários e aposentadorias. Na verdade, o governo nada mais é do que um grande administrador de folha de pagamentos. Uma folha inchada por sua própria incompetência e pelas necessidades políticas.

Sem contar que aquela dinheirama toda nas mãos de poucos aguça os seus motivos mais torpes. Tem gente que é capaz de furtar merenda escolar e até remédios de hospital público.


E nós aqui. A política não nos interessa, pagamos nossos impostos, cumprimos nosso dever e damos graças a Deus por viver numa democracia. Melhor dizendo, nós legitimamos o que dizem ser uma democracia para que ela legitime nossos representantes. E eles vão cumprir (ou descumprir) as suas obrigações para conosco, o otariado.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h03
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O QUE IMPEDE A DEMOCRACIA

Os argumentos me levam sempre à mesma conclusão. Somente com a EDUCAÇÃO de todos os brasileiros poderemos avançar.

Precisamos avançar em direção à igualdade e à fraternidade. São ideais que muitos consideram inatingíveis. Pensam como se não houvesse evolução. Como se não fosse possível abolir a escravatura no Brasil ou derrubar o regime do appartheid na África do Sul. Como se não fosse possível fazer funcionar o Instituto Ethos ou o WWF. É preciso entender que a sociedade vai se depurando com o tempo e o tempo do mundo é muito superior ao tempo das nossas vidas. É nosso dever lutar pelo melhor, cada um a seu tempo.

Mas podemos trazer o raciocínio para o tempo presente. Educar a população brasileira no espaço de 30/50 anos. Já é uma grande coisa. Entre outras coisas, vai forçar uma reforma política que nos dê condições de depurar o processo e controlar o nosso voto. Porque, no sistema atual, matematicamente, voto a voto, não é possível. Algumas razões:

1. obrigatório ou não, o voto é permitido a um grande contingente de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que não são capazes de exercer escolhas.
2. no interior, qualquer candidato a deputado ou senador que controle um certo número de prefeitos, politica ou economicamente, se elege. O jogo dos interesses e do dinheiro é muito mais sujo do que parece.
3. o legislativo é quem vota as nossas leis, é quem faz ou impede as reformas tributária, previdenciária, política, trabalhista. Onde está a nossa liberdade?
4. Cada Tiririca, Paulo Maluf ou Anthony Garotinho eleito traz consigo, através da legenda, um grande número de outros eleitos que, sozinhos, não teriam a menor condição de se eleger.
5. Na sociedade do espetáculo, artistas e esportistas, sem qualquer experiência política, têm fortes chances de se eleger, relegando a segundo plano pessoas preparadas e de bem que resolveram participar da política.
6. O Estado detém 40% do PIB e se transformou num balcão de negócios que passa por todos os poderes. A imprensa noticia diariamente.

É democrisia ou não é?


Em outras palavras, só um país educado e culto tem condições de exercer opinião condizente com as suas necessidades e com a ética. Mesmo assim, não será fácil. As forças contrárias são numerosas e poderosas. Mas a gente chega lá.



Fonte: http://www.webartigos.com/articles/47657/1/O-QUE-IMPEDE-A-DEMOCRACIA/pagina1.html#ixzz10II4os2W


Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 18h00
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A DEMOCRACIA QUE PRECISAMOS

Para aprimorar o processo eleitoral, alguns argumentam a favor da validade dos votos brancos na contagem oficial, ou no fim do voto obrigatório. Francamente, eu não vejo a solução para a democracia de um país através dessas mudanças. Antes de tudo, e não estou falando aqui de curto prazo, é preciso que haja democracia de verdade. Este sistema parte do princípio de que um homem é igual a um voto e nos faz acreditar que a maioria é sábia. A democracia que conhecemos diz respeito a liberdades. Liberdade de expressão, liberdade de ir e vir, liberdade de exercer certas escolhas, não todas. Mas, se voltarmos aos ideais da Revolução Francesa e da Declaração dos Direitos Humanos da ONU, em 1948, vamos verificar que a igualdade e a fraternidade ainda não foram atingidas. Igualdade diz respeito a direitos de dignidade. Estamos muito longe de proporcionar dignidade a todo o povo brasileiro. Não há um sistema econômico justo, muito menos educação para criar oportunidades. Então, o dinheiro comanda o espetáculo, tanto pelo interesse dos ricos como pela facilidade de manipulação dos pobres.

Não vai fazer diferença ter mais ou menos votos brancos ou nulos. Também não vai fazer muita diferença o voto facultativo. Em um sistema em que o dinheiro costuma ser mais importante do que a integridade, só a expansão das consciências vai fazer diferença. E a base para essa expansão é o conhecimento. Eu gosto de repetir Pierre Lévy: "somos tanto mais humanos quanto somos mais cultos".

É preciso que haja o sentido da fraternidade para conquistarmos a igualdade. Somente depois desse processo um homem será igual a um voto com legitimidade.Eu vejo que esse processo está em andamento. A responsabilidade socioambiental está crescendo, embora ainda seja pequena. Porém, se quisermos acelerar o processo, temos que colocar a mão na massa. Os bons precisam ir além das suas famílias, dos seus empregos e empresas. Os bons precisam entrar na política para que o sangue bom vá limpando o organismo.

 




Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 17h53
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O RESGATE DO FIORINO (do livro "Crônicas de um bipolar", recentemente lançado pela Editora Record)
 
Depois que o Cometa não deu certo e o dinheiro acabou, eu não sabia bem o que fazer da vida
 
Minha mulher, por sua vez, tratou de arranjar uma fonte de renda. Os irmãos dela tinham uma fábrica de massas alimentícias em Belo Horizonte, com capacidade para abrir uma nova frente de vendas no Rio. Indiquei a nutricionista da Souza Cruz, em cuja sede existe um ótimo restaurante. Ela resolveu experimentar, gostou e indicou outras empresas. Logo, logo a Dôia estava com uma razoável clientela e comprou um Fiorino para fazer as entregas.
 
O motorista do Fiorino era o Antonio, um dos sujeitos mais simpáticos e de bom coração que eu já conheci. Era natural da Paraíba e se apresentou como motorista até de caminhão. Tinha carteira e tudo. Mas, a bem da verdade, não tinha noção de embreagem, nem de direção, nem de controle de aceleração. O Antonio é o único motorista que eu já conheci que foi admitido pelo requisito simpatia. Mas ele aprendeu rápido, hoje tem um taxi com ponto ali perto do Fluminense, seu time do coração.
 
Pois bem, numa bela manhã eu estava fazendo a barba para ir trabalhar quando o telefone tocou.
__ Dona Dôra, Dona Dôra, me pegaram. Ali no vi-vi-vi-aduto.
__ O que é que houve, Antonio?
__ Le-levaram o carro, Dona Dôra (Dôra é o terceiro nome da minha mulher: Auxiliadora, Dôia, Dôra).
__ E onde ‘cê tá, Antonio?
Lá fui eu correndo para a Delegacia de Rio Comprido. Quando cheguei, o pobre-coitado do Antonio ainda estava branco feito cera. O assalto já havia ocorrido há mais de uma hora e os policiais estavam preparando uma diligência que nunca partia. Quando finalmente saíram, num Gol caindo aos pedaços, 50 metros adiante um dos pedaços caiu mesmo. Foi o escapamento inteiro. Então, voltaram.
__ Não tem viatura, doutor.
(sem palavras)
Pensei comigo.
__ Que se dane a companhia de seguros.
E fui cuidar da minha vida, que não estava nada fácil.
 
No sábado seguinte o Antonio ligou de novo. Desta vez eu estava de sunga, a meio caminho da porta para ir à praia.
__ Seu Marcelo, seu Marcelo. O meu vizinho aqui em Rio das Pedras viu a Fiorino no pé de uma favela, lá em Bonsucesso. Ele me levou lá, é o nosso carro mesmo.
Eu não estava nem um pouquinho a fim de cuidar de um problema da polícia, ou da seguradora, sei lá. Mas eis que entra em campo a voz da Dôia, líder inconteste do nosso santo lar.
__ Vai lá, bem. Vai lá, pelo amor de Deus. O carro está fazendo muita falta, a seguradora só vai pagar daqui a um mês, talvez mais.
E lá foi o trouxa pra Rio Comprido.
__ O carro está em Bonsucesso? Então o doutor tem que pedir acompanhamento na delegacia de Bonsucesso. Problema de jurisdição.
E lá fui eu pela Av. Brasil. Primeiro tinha que pegar o Antonio em Rio das Pedras, depois tinha que pedir ajuda na Delegacia de Bonsucesso. A julgar pelo que eu conhecia da polícia, boa coisa não me esperava. Pensei comigo mesmo.
__ A chave reserva está comigo. Eu mesmo vou pegar esse carro.
Peguei primeiro o Antonio, que me indicou o caminho. Favela em Bonsucesso, para quem não conhece, faz parte do Complexo do Alemão.
Chegando lá, era uma rua sem saída. O Fiorino estava em frente a uma casa de muro baixo, um pouco de grama, um pouco de mato na frente. Casa pequena e simples, tipo “gente pobre, porém decente”.
 
Dirigi até o fim da rua, manobrei meu carro de frente para a saída e parei ao lado do Fiorino.
__ Antonio, senta aqui no meu lugar.
E abri a porta do carro roubado. Quando bati a chave na ignição, pegou na hora. O motor estava quente. Fiz um gesto com a mão para o Antonio ir em frente, mostrando o caminho, e lá fomos nós. Só vi um menino correndo e gritando.
__ Roberto, Roberto, estão roubando o seu carro!
Dentro da caçamba tinha uma boneca e um lençol. Deve ter sido uma festa quando ele chegou em casa dizendo que tinha comprado um carro novo.
 
Agora a história triste. Tínhamos que ir até a delegacia de Bonsucesso para tirar o Fiorino do cadastro de carros roubados.
__ Hoje é sábado, doutor. A gente não tem pessoal, só segunda-feira. O senhor tem que deixar o carro aí.
__ Mas como é que é isso? Eu resgato o carro roubado e vocês vão me roubar o carro de novo?
O sujeito virou de costas.
__ Melhor o doutor falar com o delegado.
__ Quem é?
__ Ele saiu. Pode esperar ali.
Ali eram umas cadeiras ensebadas. Sentei. Eu sempre parti do princípio que ir embora e voltar depois leva mais tempo do que um chá de cadeira. E eu tive sorte. O cara não demorou muito. Só que estava com uma cara de mau que não tinha tamanho. Quando eu entrei na sua sala, ele ainda estava se ajeitando e, ao mesmo tempo em que tirava o revólver da cintura e colocava em cima da mesa, fuzilou um
__ Pode falar!
Eu falei, até gaguejei. Ele vociferou.
__ Ô Moreira, atende esse cara aqui.
 
Lá fui eu falar com o Moreira. 
__ O senhor sabe, né doutor, o Valdir vai fazer a ocorrência pro senhor. Mas não é o serviço dele, já tá na hora dele ir embora, o senhor precisa deixar uma ajuda, sabe como?
__ Quanto?
__ 30 dinheiros só, doutor.
__ Tá bom.
Sentado à frente da máquina de escrever do Valdir, comecei a contar a história toda de novo. A primeira coisa que aconteceu foi que, de tão velho o equipamento, caiu o tabulador.
__ Tá vendo, doutor? A gente aqui não tem nada, tem que consertar essas coisas com o nosso dinheiro. É por isso que a gente pede ajuda.
E seguiu a datilografia, pontuada por verdadeiras porradas no teclado.
__ OK. Tá pronto, doutor.
__ Mas, escuta aqui. Você não vai me perguntar aonde eu resgatei o Fiorino. Porque se você for lá, é onde mora o ladrão.
__ Ah! Sim, sim. Pode deixar que eu anoto aqui na nossa via. Onde foi mesmo?
 
E a outra pergunta que não quer calar: eu roubei um carro dos ladrões no Complexo do Alemão porque sou bipolar ou porque eu sou assim mesmo?

Um carregamento de lítio para quem me responder.

 



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 17h04
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O PRESIDENTE LULA ME CONFUNDE A CABEÇA

(ou Lula em Copenhague – Um exemplo)

 Na primeira eleição, eu votei nele. Acreditava que os governantes precisavam dar valor aos pobres, inverter o olhar. Parodiando Galbraith, eu queria que a sociedade fosse mais justa, que a pobreza estivesse “na consciência de todos, sua eliminação fazendo parte da política pública de todos”.

Fiquei orgulhoso com a eleição de Lula. Logo no primeiro dia ele declarou que o brasileiro tinha o direito de tomar café da manhã, almoçar e jantar. De forma absolutamente simples, ele sintetizou uma grande mudança no foco das políticas públicas, influenciando todas as áreas, inclusive a responsabilidade social das empresas.

Ao mesmo tempo, a administração pública mostrou-se inoperante para resolver questões prioritárias, como saúde, transportes e educação. Nem ao menos foi capaz de cumprir a maioria das promessas dos ministros. Veja algumas delas e dê uma nota àqueles primeiros 4 anos de governo, se quiser:

As cidades serão valorizadas.

Haverá muito mais moradias populares, financiadas pelo FGTS e outros meios (inclusive títulos de propriedade para os favelados).

As crianças serão preparadas para o mercado, com acesso à tecnologia digital.

A política do Meio Ambiente será transversal e estará presente em todos os setores da administração pública.

Uma redução da jornada de trabalho bem conduzida poderá criar novos postos de trabalho, aumentar o consumo e melhorar a economia.

Será aprovada a Bolsa-Atleta, que vai beneficiar todos os estudantes que se destacarem nos esportes.

Os exames vestibulares serão progressivamente substituídos pelas provas anuais do ensino médio, incentivando os estudos todos os anos.

Não haverá mais crianças analfabetas no Brasil. Haverá um censo dos meninos de rua e casas e escolas para todos.

O combate à corrupção terá uma superestrutura, as licitações federais serão mais transparentes, será o fim do nepotismo.

Os direitos humanos não serão apenas direitos civis, mas também direitos econômicos ao trabalho, à saúde, à educação.

Será lançada a Carteira do Primeiro Emprego

A política dos remédios genéricos será ampliada.

O Natal sem fome será o ano inteiro.

O que ficou cada vez mais evidente é que, no afã de obter apoios, o presidente era totalmente permissivo em relação à corrupção, um péssimo exemplo para todo o país.

Veio a campanha da reeleição. Votei no Cristóvam Buarque, mesmo sabendo que ele ia perder. Queria dar o meu apoio à sua proposta educacional.

Lula foi reeleito com mais de 58 milhões de votos, a segunda maior votação de todas as democracias ocidentais, o que confirmava o valor do seu pragmatismo na economia, na política e no discurso. Aliás, o discurso, em termos gerais, é genial – até quando nos coloca na merda, simplesmente porque ela é verdadeira e a linguagem é do eleitorado quase todo.

A minha cabeça é que não entende bem: como é que um sujeito tão mal educado pode ser tão inteligente? Como é que um sujeito cuja ética permite ter "disposição em fechar os olhos para escândalos quando lhe convêm", segundo The Economist, pode, em outras ocasiões, defender causas tão nobres e justas?

Lula, o filho do Brasil, foi saudado por Susan Sontang, da Academia Americana de Letras, como a única coisa boa que aconteceu no mundo nos últimos tempos. O que é isso? Mas fico inclinado a concordar com a Dona Suzana, que Deus a tenha, quando leio o que o presidente disse diante da cúpula mundial em Copenhague:

"Confesso que estou um pouco frustrado porque discutimos a questão do clima e cada vez mais constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar... adoraria sair com o documento mais perfeito do mundo. Mas se não conseguimos fazer até agora esse documento, não sei se algum sábio ou anjo descerá nesse plenário e conseguirá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até agora".



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 17h12
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SUSTENTABILIDADE UMA OVA!

Esta palavra entrou na ordem do dia.

__ Este é um empreendimento sustentável.

Pode significar, simplesmente, que tem potencial para se manter ao longo do tempo, não deve quebrar.

__ Esta é uma empresa que trabalha pela sustentabilidade.

Significa que ela acredita que as suas práticas vão deixar um bom legado para as gerações futuras, ou seja, se depender dela, nossos netos vão herdar um planeta melhor do que este em que vivemos.

__ O Brasil precisa crescer de forma sustentável.

Significa, em linhas gerais, que devemos prosperar sem gastar mais recursos do que a natureza é capaz de repor.

O problema é que as práticas do mundo moderno não são sustentáveis. Não existe uma única empresa absolutamente sustentável em todo o mundo. Todas elas consomem recursos, da luz elétrica às baterias de celulares, dos elevadores à tinta das impressoras, e assim por diante. A petroquímica que nos cerca, numa gama infinita de produtos e aplicações, depende da exploração do petróleo, muitas vezes em águas profundas, onde é impossível trabalhar com vazamento zero. E o que dizer da mineração de outros insumos, produzindo verdadeiras crateras nas florestas, para depois virem nos dizer que as árvores foram replantadas? Nada foi prejudicado, nem as plantas, nem os bichos, nem a água? Tomara.

Porém, o pior ainda está por vir. Segundo o Copenhagen Consensus (2004), que reuniu nove economistas mundiais de grande prestígio, os principais problemas ambientais deste planeta são, pela ordem, a AIDS, a má nutrição, as barreiras comerciais e a malária. A doença e a miséria degradam o ambiente. O nosso ambiente.

Vivemos um tremendo paradoxo: a biodiversidade relativa a 16 grandes ecossistemas terrestres já foi calculada em 33 trilhões de dólares. Mas o Banco Mundial estima que a degradação ambiental pode estar custando entre 4 e 8% do PIB de muitos países em desenvolvimento. O nosso modo de vida destrói o planeta, todos vão sofrer as conseqüências, mas as medidas para estancar a sangria ainda são muito, muito tímidas.

Há quem defenda o seguinte: a população mundial já está em quase 7 bilhões de habitantes. Não cabe mais ninguém, não há como suprir mais ninguém com os recursos existentes.

__ E vamos começar pelos pobres. Eles não têm mesmo como se manter, para que desejam ter filhos? Vamos tirar das mulheres pobres o direito à maternidade. Afinal, para que elas querem esta felicidade?

E tem muita gente que concorda. Mas, se ficarem sem abastecimento de gasolina para as suas caminhonetes, isso não! Veementemente não! Nada para eles é supérfluo, nada pode ser suprimido, muito pelo contrário.

Somos presas do que Galbraith chamou de “cultura do contentamento”. Para nós, o futuro jamais chegará. E as realidades que cultuamos só irão mudar quando provocarem danos tão grandes a ponto de afetar o nosso próprio contentamento.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 15h37
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OS 10 MANDAMENTOS DO DEPUTADO DISTRITAL

(criados a partir de um artigo do Deputado Chico Alencar, publicado em O Globo) 

  1. Realizar um mandato de serviço em favor das maiorias, para que todos conquistem seus direitos sociais.
  2. Considerar que um mandato de serviço é a expressão de uma vontade coletiva, não é um emprego.
  3. Ouvir e aprender com os seus representados antes de falar ou legislar.
  4. Buscar a justiça em todos os projetos de sua autoria, assim como naqueles em que for chamado a opinar ou votar. O interesse público deve prevalecer sobre o interesse particular.
  5. Agir com coerência: fazer o que fala, realizar o que promete, cumprir as promessas de campanha.
  6. Agir com transparência e honestidade, denunciando tráfico de influência e negociatas que possam ocorrer.
  7. Defender as denúncias infundadas que ofendem a classe política de forma generalizada com absoluta coragem e sinceridade.
  8. Agir com humanidade e sensibilidade quanto ao sofrimento das pessoas. Seres humanos são seres humanos, não apenas eleitores.
  9. Manter sua simplicidade depois de eleito.
  10.  Buscar a excelência em sua atuação, analisando os problemas com profundidade para encontrar as melhores soluções.

ESTES MANDAMENTOS FORAM INCLUÍDOS NUMA LICITAÇÃO PARA A CONQUISTA DA CONTA PUBLICITÁRIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE BRASÍLIA. A PROPOSTA FOI PERDEDORA.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h29
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O  SENHOR ARRUDA E A CORRUPÇÃO BRASILEIRA

Tendo em vista os últimos acontecimentos, vale relembrar o discurso do senhor José Roberto Arruda, quando empossado no governo do Distrito Federal. Ele disse que os políticos precisam ter cuidado para não desiludir as pessoas. "E o que seria pior: deixar que elas transfiram essa desilusão para a própria democracia, que deve ser permanente". E reafirmou seus princípios, ao dizer que os políticos têm de agir "estritamente de forma ética, sem nenhum tipo de permissividade".

A pergunta que fica no ar, para todos nós, é a seguinte: conseguiremos manter nossa fidelidade ao sistema, mesmo sendo furtados e achincalhados seguidamente pelos nossos representantes? Os dados que vêem a seguir são de um livro que escrevi em 2004. Precisam ser atualizados, o que não invalida o seu significado, até porque a maioria deles, de lá para cá, só piorou. 

 

A ONG “Transparência Internacional”, que publica um índice de percepção de corrupção, afirma que latino-americanos, africanos e asiáticos acham que há mais corrupção nos seus países do que os cidadãos das nações ricas: “A corrupção (no Brasil) chegou a um nível tão alto que acaba atrapalhando as relações comerciais em alguns setores e confundindo a missão da atividade política.” O Brasil deixa de receber U$40 bilhões anualmente porque os investidores estrangeiros desconfiam das instituições do país. E um estudo do BID diz que a América Latina perde 10% do seu PIB todo ano com a corrupção.

 

E o que acontece quando a corrupção é reduzida à metade? O Banco Mundial responde:

-          redução de 51% na mortalidade infantil;

-          redução de 54% na desigualdade de distribuição de renda;

-          queda de 50% na importância da economia informal em relação ao PIB;

-          queda de 45% na população que vive com menos de US$2 por dia.

 

Sabe-se também que, nos países mais corruptos:

-          as empresas têm resultados financeiros muito piores;

-          invertem-se as prioridades. Hospitais podem ser substituídos por gastos militares;

-          pequenas empresas podem gastar até um quarto do seu lucro para evitar multas;

-          os pobres gastam grande parcela do seu orçamento familiar pagando gratificações para conseguir um atendimento qualquer, seja da polícia ou dos serviços de saúde;

-          paga-se mais por empréstimos internacionais. No Brasil, o custo do dinheiro é bem mais alto que na Finlândia;

-          as empresas escapam do pagamento de propinas caindo na informalidade. Pagam menos impostos e enfraquecem o Estado.

 

A corrupção costuma ser sistêmica: “reside em...administrações vassalas, nas mais refinadas e nas mais podres forças policiais administrativas, nos lobbies das classes dominantes, nas máfias de grupos sociais emergentes, nas igrejas e seitas, nos autores e perseguidores de escândalos, nos grandes conglomerados financeiros e nas transações econômicas corriqueiras”, segundo Michael Hardt e Antonio Negri em “Império”.

 

Meu caro leitor, sempre que tiver oportunidade, diga não à corrupção. Os economistas do Banco Mundial chegaram à conclusão que o Brasil ocupa o 70º lugar no ranking dos países corruptos. Se chegarmos ao índice de Angola (152º), sem considerar nenhum outro fator, vamos ter uma renda per capita 75% menor em oito décadas. Se, por outro lado, chegarmos ao nível da Inglaterra (10O), ficaremos quatro vezes mais ricos no mesmo período, com a invejável renda per capita de US$14,000/ano.

 



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h25
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A PUBLICIDADE E A EDUCAÇÃO

O Sr. Kofi Anan, no 4º. Congresso Brasileiro de Publicidade, finalizou a sua palestra afirmando que a publicidade tem grande responsabilidade educativa no nosso mundo em constante mutação.

E tem sido assim, ao longo do tempo. Não há dúvida de que, nos primeiros tempos, os anúncios de sabonetes e pastas de dentes ensinaram muitos brasileiros sobre os hábitos de higiene pessoal. Assim como, recentemente, nos incentivaram ao uso dos computadores e dos celulares.

Então por que, nos últimos anos, vários setores da sociedade se armaram contra os publicitários, fazendo acusações de incentivo ao consumo irresponsável, clamando por regulamentações na maior parte sem sentido?

A resposta está, a meu ver, na própria história da propaganda brasileira. A característica informativa dos primeiros tempos foi, paulatinamente, dando lugar aos apelos emocionais. De “Uma Coca-Cola bem fria não só aplaca a sede, como também... é deliciosamente refrescante” evoluímos, por exemplo, para ursinhos em computação gráfica, tomando graciosamente sua Coca-Cola na neve.

Criatividade e técnica conseguiram envolver de tal forma os consumidores que nós passamos a ser temidos. Para alguns, não seria aceitável que os bichinhos da Parmalat influenciassem tanto os hábitos alimentares dos seus filhos. Nem que suas filhas pré-adolescentes só quisessem Valisère. E surgiram aqueles que desejam transformar os comerciais numa bula de remédio.

Cumpre aos publicitários valorizar o seu trabalho junto à sociedade. A publicidade tem o poder de educar. E faz isto com muita competência, em campanhas específicas. Poderia fazer mais, se houvesse a mentalidade de incluir, nas milhares de comunicações comerciais, algum conteúdo educacional. Não é impossível, nem mesmo difícil, incluir uma dica de hábito de vida saudável em um comercial de alimento; direção segura em comercial de automóvel, e assim por diante.

Recentemente, o Prezunic incluiu em suas mensagens uma série de atitudes entre fregueses que diziam respeito à boa convivência e cuidados com o meio ambiente. E não deixou de anunciar as suas ofertas. Basta a agência querer, ou o cliente brifar, que a boa idéia aparece.  

Pensem em educação. Os publicitários vão ganhar mais elogios do que críticas. E será um trunfo a mais em defesa da liberdade de expressão que todos defendem.



Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h55
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