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MÍDIA EXTERIOR VERSUS CIDADE LIMPA Hoje vamos deixar a ética do campo filosófico, ou sociológico, para abordar problemas do dia-a-dia das nossas cidades. São Paulo oficializou o projeto Cidade Limpa e a cidade ficou melhor, indubitavelmente. Até então, morando em uma cidade confusa pelo próprio desenvolvimento, o paulistano ainda convivia com uma profusão inesgotável de mensagens publicitárias, ocupando desordenadamente o espaço urbano. Poluição visual sim, até porque a estética dos equipamentos e das mensagens era questionável. Deu certo em São Paulo, provavelmente será bom para a nossa cidade também, raciocinam prefeitos e legisladores em vários municípios do país. Errado. Nova York tem os “spetaculars” na Broadway como um dos seus ícones de reconhecimento para todo o mundo. Os cartazes dos ônibus que circulam pela cidade prestam serviços aos cidadãos e aos turistas ao anunciar as novas atrações culturais de Manhattan. O mesmo se dá em Paris, considerada por muitos a cidade mais linda do mundo. Lá também os ônibus são veículos de promoção das artes e dos esportes, assim como de produtos e serviços que a população usa. Os pontos de ônibus e outros equipamentos urbanos são bem construídos e bem dispostos pela cidade com as suas mensagens. E o que seria do Metrô de Paris, com todos aqueles corredores labirínticos, não fosse a arte publicitária que lhes empresta colorido e movimento, além da informação? Um laboratório farmacêutico promove, nesta primavera, uma campanha de prevenção da hepatite B em grandes cartazes nas estações do Metrô de Paris. É ruim? Ou será que alguém poderia encarar uma campanha assim como poluição visual? Conceitualmente falando, cabem três observações importantes sobre a atividade publicitária que, embora possam encerrar discussões, têm prevalecido nas teses de intelectuais e dos profissionais de comunicação: a)- no regime capitalista em que vivemos, a cidadania não é alcançável sem o consumo. Este deve ser consciente e sustentável, mas não pode deixar de existir; b)- desde que responsável, não é constitucional nem desejável limitar a liberdade de expressão; c)- a publicidade tem um compromisso com a estética. Pelo que raciocinamos até agora, a publicidade é desejável quando informa com responsabilidade, quando promove as artes e os esportes, quando promove campanhas de utilidade pública, quando embeleza o ambiente. Então, o que é melhor? Visualizar um prédio sujo, com o reboco descascando, no centro da cidade, ou ver aquela mesma parede com a reprodução de uma obra de arte patrocinada, ou com uma simples mensagem publicitária de bom gosto? Paris tem mensagens publicitárias em muitos pontos da cidade, mas de forma ordenada, sem interferir na visualização do que deve ser preservado. A organização é a tônica. Diferentemente do Rio, por exemplo, não tem bancas de jornais se encontrando com as mesinhas dos cafés, subvertendo os direitos dos pedestres. Também não tem bares destinados a exibir jogos de futebol com os monitores de TV voltados para a rua, criando torcidas exaltadas debaixo das janelas dos apartamentos de moradia. E se a nossa desordem está por toda parte, pode surgir nas mensagens publicitárias a toda hora. Organizar é mais difícil, muito mais difícil do que proibir, principalmente quando se sabe que parte dos exibidores de mídia exterior está inadimplente quando ao pagamento dos impostos e taxas à prefeitura do Rio, por exemplo. Mas é bom lembrar que, com a proibição generalizada, até São Paulo perdeu. Agora procuram-se patrocinadores para a manutenção de jardins, em troca de plaquinhas com os nomes das empresas colaboradoras. Perderam-se espaços muito mais valiosos, que poderiam conviver harmonicamente com as características da cidade, gerando receitas e prestando serviços à população. A publicidade é uma prestação de serviços. Finalizando, uma idéia simples, que pode ser proveitosa para todos: a exploração do espaço urbano não é uma concessão pública, assim como uma emissora de TV? Então, que a concessão reserve para o poder público x dias por ano para veicular mensagens de interesse público. Campanhas de esclarecimento sobre a Gripe A, por exemplo.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 12h10
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OPOSIÇÃO NO BRASIL É O CRIME – PARTE 2
Em primeiro lugar, cabe tipificar o que é crime organizado. Vejamos o depoimento de uma adolescente, que saiu no UOL Notícias: "A violência começou depois que mataram três rapazes. O comando do bairro pediu vingança. Foi aí então que tudo começou. Um rapaz chamado Alemão, que comanda o bairro de Paraisópolis ajuntou um tumulto de traficantes, e eles começaram a atacar. Ao chegar a polícia todos correram e começaram a botar fogo." A notícia ainda dá conta que neste arremedo de paraíso atuam ONGs, procurando dar alguma assistência aos necessitados, como também milicianos, que lutam pelo poder com os traficantes.
Esta situação parece organizada para você? Para mim não parece.
O que soa como uma organização formidável é o Congresso Nacional. Teoricamente eleitos para nos representar, num regime democrático que muitos consideram exemplar, mas que, como diria o especialista em política Jackson Vasconcelos, não passa de uma “Democrisia”, vossas excelências entraram em todo tipo de acordo e colocaram o PMDB na presidência do Senado e da Câmara. Dezenas de partidos apoiaram essas escolhas. Não há espaço para mais nada, a não ser novos acordos nas futuras votações, segundo os interesses do poder.
Interesses que passam longe das nossas necessidades, quase sempre atendidas de forma ilusória. Basta dizer que o Governo empenhou apenas R$ 18,7 bilhões em obras do PAC em 2007 e 2008, dos quais R$ 11,4 bilhões foram efetivamente pagos. A promessa, que dificilmente será cumprida, é de R$142 bilhões até 2010.
E se há um deputado capaz de construir até um palácio para sua própria moradia, e ainda ser nomeado corregedor, onde está o crime organizado? Em Paraísópolis ou em Brasília?
A meu ver, em Paraisópolis só vamos encontrar a única oposição que existe neste país, se bem que completamente desorganizada: o crime exercido pelos pobres que não aceitam a sua condição social.
OPOSIÇÃO NO BRASIL É O CRIME – PARTE 1 (ESCRITA EM 02.12.06)
Estou chegado a dizer que a sociedade brasileira está funcionando assim. Em cima, temos os ricos, as grandes empresas, os políticos, os "donos" das estatais, o judiciário. É um conluio quase generalizado, pressão daqui, financiamento dali, doação de lá, uma feira de benesses. Entre os políticos, a palavra da moda é coalizão. Dizem que vão garantir a governabilidade. Deveria ser bom, pois a cooperação, teoricamente, é melhor do que a competição. Mas, na verdade, o que estão fazendo é uma série de acordos para que os participantes não percam a oportunidade de se beneficiar do poder. Ninguém pode ficar de fora. Orestes Quércia e Moreira Franco sentam-se à mesa com Lula e Tarso Genro; Aécio Neves e José Serra são chamados para reunir apoios. Sergio Cabral chama alguns competentes para o seu secretariado, mas mantém parte do que é do Garotinho, ao mesmo tempo em que dá as mãos a Cesar Maia...
Política é assim mesmo? Pode ser, mas que soa esquisito, isto soa.
Abaixo da classe mais poderosa, tem a turma que gravita em torno dela, procurando negócios. Muitas ONGs, inclusive. O nome do jogo é dinheiro, o objetivo do jogo é lucrar – o livro de regras ninguém escreveu ainda.
Depois vêm os chamados homens de bem, ou maioria (será uma minoria?) silenciosa. Este pessoal quer distância do cipoal aí de cima, por isso não participa da política. Mas é de uma ingenuidade cavalar. A cada eleição, corre lá, dá o seu votinho, legitima uma pseudo-democracia que elege Collors e Malufs, bota toda a corriola na legalidade. Tem gente que vai votar até em cadeira de rodas, subindo escadas. Tem uns velhinhos, coitados, que não se agüentam mais de dor nas costas, mas vão lá, com as suas bengalas, votar por um Brasil melhor, sob os aplausos da mídia – “Brasil Cidadão!”
Já notou, caro leitor, que até agora não há oposição? E ainda temos os pobres, humildes, precisados de emprego ou de Bolsa Família, que também não fazem oposição.
Chego à triste conclusão que na oposição o Brasil só tem o crime. Não o lá de cima, que está no poder, mas o daqui de baixo. Temos o confronto à propriedade, como o MST, recebendo subvenção do Governo, e a oposição pra valer, nascida das piores sarjetas que a própria sociedade criou: oposição no Brasil é Marcola, PCC, Beira Mar e outros. Se algum dia se estruturar em torno de uma liderança, bota fogo no Brasil, como começou a botar em São Paulo. Olha só o que o Marcola declarou em O Globo, quando perguntado se era do PCC:
“Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... Vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...”
Olha, se as pessoas de bem não resolverem participar da política e emprestar um pouco de moral ao resto da turma, o futuro não será nada auspicioso...
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 14h55
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O ESTADO ESTÁ LONGE DE NOS ATENDER
O Estado, seja ele qual for, legitima a burocracia. E a burocracia subverte a moral. Subverte por criar entraves ao cidadão que lhe tiram a dignidade. A burocracia parte do princípio de que o papel é mais importante do que a necessidade. Na ânsia de controlar, o burocrata se recusa a fazer e perde a sensibilidade. Além de favorecer a corrupção. Segundo Gustavo Krause, "a burocracia deixou de ser instrumento de poder e passou a ser o próprio poder, um podre poder..."
O Estado promove guerras e manda seus jovens para guerrear. O Estado legitima as guerras e as mortes, o que está refletido em quase todos os hinos nacionais, cantados com emoção por pessoas que não avaliam bem o que estão dizendo.
Aqui no Brasil, por absoluta incompatibilidade com a competência, a burocracia joga milhares de pessoas nas filas todos os dias, até mesmo para o atendimento hospitalar.
A burocracia militar chega ao ponto de colocar um ex-pracinha com mais de 80 anos de idade a esperar atendimento por aproximadamente 7 horas. Motivo do processo: provar que está vivo e mudar a praça de recebimento dos benefícios do Rio de Janeiro para Belo Horizonte.
A burocracia subtrai a dignidade também porque não acredita no ser humano. Cria carimbos, firmas reconhecidas, declarações atestadas por cartórios, tudo absolutamente desnecessário, trabalhoso e caro, além de compulsório.
As leis, que regulam as nossas relações, estão sempre a reboque da realidade. O que não existe ainda não está regulado, o que é criado hoje só será regulado amanhã. E nem sempre com propriedade. Muitas leis existem apenas para proibir, sem criar alternativas para quem foi proibido. Um exemplo marcante está nas grandes cidades. Onde está o emprego para quem não pode mais ser camelô?
Do outro lado estão os impostos. A carga tributária inviabiliza a maioria das empresas, mas, se houver atraso nos pagamentos, os juros e as multas superam a imaginação do maior dos agiotas.
O Estado quer combater a informalidade, mas se esquece de que ele é o maior dos informais, pois arrecada grande parte do PIB e não cumpre a finalidade a que se destina, que seria proporcionar desenvolvimento, ordem, bem-estar e sustentabilidade. O que o Estado faz, sendo regiamente pago, é apenas um arremedo do que deveria fazer.
Em resumo, o Estado brasileiro, enquanto permanecer incapaz, é a instituição mais danosa com a qual somos obrigados a conviver.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h45
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DOAR O QUE NOS FAZ FALTA A moral capitalista sempre acreditou que era viável, até mesmo desejável, que os mais aptos tirassem os menos aptos da cena econômica. __ Seja competitivo, diziam os administradores, e ainda dizem. Por outro lado, jamais procuraram avaliar a dor e o sofrimento das famílias afetadas pela perda de empregos ou dos seus negócios, se é que isto é possível. A moral capitalista segue a crença de que a evolução se dá quando os indivíduos mais aptos se sobrepõem aos mais fracos e vão apurando as espécies. Poucas ponderações foram aceitas até agora, como aquelas que defendem nossa inserção em um conjunto biológico sistêmico, em que é a cooperação que determina a evolução, e não o contrário.
No cenário atual, a posse do dinheiro confere o poder, e a busca pelo dinheiro gera a competição irracional que sacrifica o meio ambiente e a felicidade. Sustentabilidade passou a ser uma palavra de efeito, pura e simplesmente uma grande quimera. Nosso mundo ainda é de exploradores. Mas vamos transpor certas realidades para dentro das nossas casas. Grande parte das famílias já sofreu seus apertos econômicos e financeiros, mas nem por isso deixou de dividir. Os pais de família, naquele momento, doavam aos seus filhos o que lhes fazia falta. Este é o grande sentido humanitário, muito diferente de reunir um monte de roupas e brinquedos usados e enviar para as vítimas das enchentes. Nada contra, porém pífio. Doar o que faz falta versus doar o que está sobrando. Dedicar tempo e recursos que vão fazer falta para quem tem menos. Entender o sentido da teia da vida (Vide Fritjof Capra), empreender cooperação no lugar de competição. Esta é grande mentalidade que nos falta para o combate à corrupção, para formarmos um país mais construtivo, para cooperarmos continuamente e para combatermos as desigualdades sociais: doar o que nos falta, não apenas em casa, mas também fora dela.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 12h31
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MENSAGEM RECEBIDA DO ANALISTA JACKSON VASCONCELOS (www.estrategiapolítica.com.br)A RESPEITO DO ARTIGO ANTERIOR - A FAVELA É FORMAL OU INFORMAL?
-----Mensagem original-----
De: jackson@estrategiapolitica.com.br [mailto:jackson@estrategiapolitica.com.br] Enviada em: terça-feira, 8 de janeiro de 2008 08:33 Para: Marcelo C.P. Diniz Assunto: Re: ENC: INFORMALIDADE E POBREZA
Marcelo, como sempre, muito bom o texto, com conclusão simples: não há informais e se poderia ir além para dizer que, na verdade, informais são os governos, porque não cumprem o papel que a sociedade lhes destina e pelo qual paga regiamente. Meu forte abraço. Jackson
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 18h48
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A FAVELA É FORMAL OU INFORMAL?
Nos últimos meses, tenho presenciado vários debates, alguns oficiais, outros não, colocando a informalidade como a grande vilã da história. Por causa dela não se produzem mais empregos, por causa dela não se arrecadam os impostos necessários para o pleno exercício das políticas públicas. A informalidade alimenta o crime, promove a ocupação desordenada das ruas, é feia, faz sujeira, faz barulho.
Parodiando o Ancelmo Goes, “é, pode ser”. Não entendo o suficiente de economia, muito menos do crime, para me confrontar com essas opiniões. Mas gostaria de olhar a realidade sob um outro ponto de vista.
Vou pegar o exemplo de uma empregada doméstica que mora na Rocinha, em algum beco que vai dar na Estrada dos Boiadeiros, sem direito a laje. Ela acorda às 4 horas da manhã e pega uma condução até a Lapa, onde faz faxina numa loja de móveis. Termina por volta das 10 e vai para uma casa de família em Copacabana, onde trabalha até às 5 ou 6 da tarde. Volta para a Rocinha para cuidar do marido e de 3 filhos pequenos, dentro de um orçamento familiar aproximado de R$1.600,00 mensais. Nas suas idas e vindas, ela não pergunta se o ônibus é pirata, ou se a Van é pirata. Ela precisa chegar. E, formal ou informal, o transporte paga ICMS sobre o combustível e, se emplacou, paga também IPVA, transferindo seus custos para a passagem dela, com certeza.
Aonde eu quero chegar? Eu quero dizer que não há IOF especial para pobres quando eles financiam uma geladeira, ou uma televisão. Também não há isenção de IPI na hora de comprar um par de Havainas; nem ICMS mais baixo sobre alimentos e serviços.
Então, algum economista por favor me diga quanto paga a população favelada do Rio de Janeiro apenas naqueles impostos que ela não pode viver sem eles? Porque são os mesmos impostos dos quais os informais também não escapam, já que a trama fiscal é tão grande que desses ninguém consegue escapar.
Eu vejo que a solução do problema dos favelados, formais ou informais, depende muito da mentalidade de quem pode fazer alguma concessão por eles. Os argumentos costumam ser terríveis: __ Lá só tem bandido. Esquecem-se de que o crime e as milícias se criam onde o poder público se ausenta. E emendam: __ Eles simplesmente não existem, não pagam IPTU; a luz deles é gato, eles não contribuem para a melhoria da cidade.
Voltando à empregada doméstica, ela faz parte de um problema muito maior chamado Brasil. Chegou ao Rio vinda do interior da Paraíba, fugindo da seca. Já foi informal, hoje é doméstica com carteira assinada. E o marido é autônomo, vive de bicos. O cômodo onde mora não tem mais do que 20m2, representando uma economia necessária para pagar a “Dona” que toma conta dos meninos, entre outras necessidades. Imagine se, além do IPI, do ICMS, do IOF e outras taxas, tivesse também que pagar o IPTU por uma rua que não existe, um esgoto a céu aberto, uma Comlurb que não passa. Imagine se a Rocinha não houvesse, e a segunda opção fosse a fome do sertão da Paraíba.
Ah! Me esqueci. A luz dela é gato, prejudica o serviço público da cidade inteira. O que pouca gente sabe é que os gatos das favelas não são os maiores responsáveis pelas perdas da Light. Perde-se muito mais com os chamados “gatos gordos” da Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Zona Oeste e todos nós pagamos a conta.
E, gato por gato, onde estão os grandes sonegadores, os responsáveis pelas negociatas de todas as espécies, e os gatos de barrigas imensas que atacam os orçamentos de todas as instâncias dos governos?
A impressão que eu tenho é que o crime cresce e se alimenta na informalidade porque o país mantém os “gatinhos” desassistidos. Ao mesmo tempo em que os “gatões” andam por aí, cinicamente, famelicamente, dilapidando o patrimônio da sociedade, furtando o dinheiro dos impostos que a nossa empregada também paga.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 14h17
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A DESIGUALDADE SOCIAL E A ESTÉTICA DAS CLASSES A E B
Alguém já escreveu que nada emociona mais do que a beleza. E o que é beleza, afinal? Antigamente, esta palavra era utilizada para denominar exatidão, precisão. Mais tarde, evoluiu para significar simetria. Na realidade, a beleza é uma percepção individual caracterizada pelo que é agradável aos sentidos. Esta percepção é influenciada pelo contexto, pelo ambiente cultural, pelos costumes.
Na sociedade moderna, os ideais de beleza têm sido ditados pela mídia e chegamos a tal extremo que a magreza foi valorizada a ponto de gerar modelos doentias. Porém, mulheres gordas podem ser consideradas lindas em algumas ilhas do Pacífico, negras são belíssimas na África, amarelas são maravilhosas na Ásia.
Neste ponto, é oportuno citar a estética, que tem por objeto o estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Filósofos antigos, como Platão e Aristóteles, diziam que a essência do belo seria alcançada identificando-o com o bom e o verdadeiro, tendo em conta os valores morais.
Filosofia à parte, eu chego na janela do meu apartamento e vejo estacionadas duas kombis para frete, mal conservadas, meio sujas, com um carregador encostado: descamisado, barrigudo, bermuda, chinelo de dedo, barba por fazer. Bem próximo está um carrinho que vende pão com manteiga e se protege da chuva com um daqueles plásticos azuis amarrado numa árvore.
Meus ideais de beleza estão definitivamente chocados. E aquilo tampouco é estético. É preciso dar um jeito de tirar esses caras da minha rua. Quem sabe se eu falar com alguém que seja influente na Prefeitura? Quem sabe se eu tirar umas fotos e mandar para a coluna do Ancelmo, será que ele publica? “Desordem urbana” seria um bom título.
Olha o preconceito aí, gente!
Vamos inverter o raciocínio: por que a rua é minha? Por que o cara de chinelo de dedo não pode trabalhar por aqui? E o ambulante, coitado. Também não está ganhando a vida?
Pois é. Sempre que segregamos, sempre que tendemos a tirar os menos aptos da cena econômica, às vezes em nome de uma estética culturalmente duvidosa, estamos lutando pela desigualdade social.
A responsabilidade social, ainda incipiente, tornou-se palavra de ordem em muitas empresas. Mas tem muita gente que se dispõe a colaborar desde que não suje as mãos. Preto e pobre, só se for de longe. Soube de uma escola de classe média que tinha um programa de educação voltado para crianças de comunidades carentes. Quando resolveu fazer uma interação dessas crianças com os seus próprios alunos, os pais estrilaram na hora.
__ O que autoriza a senhora a julgar que os meus filhos devam conviver com esses meninos pobres, filhos sei lá eu de quem?
Aqui vale lembrar um personagem maravilhoso: ele é verde, grande, feio e fedido... mas, no fundo, esse ogro de aparência assustadora é extremamente simpático e bonzinho. O nome dele é Shrek e, com toda a sua “feiúra”, conquistou os corações de milhões de adultos e crianças nos cinemas de todo o mundo.
Shrek veio para confirmar que o nosso ideal de beleza, na realidade, não é aquele vendido pela mídia. Nós queremos o bom, o verdadeiro, a simpatia, o amor. No Brasil, o que mais temos são ogros. Mas, se não vamos até eles, como saber?
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 16h21
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS E NOVAS OPORTUNIDADES
Foi na década de 50 que Aldous Huxley, numa série de conferências na Universidade da Califórnia, nos alertou para a “Situação Humana”. Era o primeiro grito de grande repercussão que nos alertava para o fato de que o homem não podia subjugar a natureza com tamanha intensidade.
E, na década seguinte, um segundo guru, Peter Drucker, afirmou que a ecologia só seria viável quando passasse a dar lucros.
A consciência ecológica efetivamente cresceu e muita gente teve ganhos de imagem ou mesmo lucros financeiros e econômicos com ela. Desgraçadamente, porém, soube-se que os efeitos climáticos que vivemos hoje são o fruto do acúmulo de poluição que vem desde a década de 60. E que as gerações futuras sofrerão muito mais, caso não sejam tomadas medidas drásticas a partir de agora.
Não se trata mais de saber se a ecologia vai dar lucros. Trata-se de contabilizar prejuízos. Para citar só um exemplo, no artigo intitulado “Tides Turning”, assinado por Suzanna Schrobsdorff, da Newsweek, ela reportou: .
"As seguradoras anunciaram planos de estabelecer uma força tarefa de mudanças climáticas sob os auspícios da National Association of Insurance Comissioners. As companhias de seguros tiveram um recorde de perdas de US$30 bilhões com os furacões de 2004 e de mais de US$60 bilhões em 2005 apenas com o Katrina."
Há inúmeros desastres previstos até 2050. Até 2100, nem é bom pensar: desertificação, falta d’água, perda de colheitas, enchentes nas regiões costeiras, perda de biodiversidade, etc., etc., etc. Acontece que a inteligência humana é capaz de criar soluções, mesmo que sejam paliativas.
O grande exercício do momento, penso eu, é encontrar oportunidades nessas crises que virão, seja com as mudanças climáticas, seja com outras novas realidades que estão surgindo. Vejamos:
1. AS MUDANÇAS - PETRÓLEO
O petróleo está ficando muito caro, seja pela entrada da China e outros emergentes no mercado mundial, seja porque suas reservas são finitas.
AS CONSEQUÊNCIAS
Busca-se o desenvolvimento de energias alternativas, menos poluentes. A petroquímica deve ser a utilização mais nobre reservada para o petróleo. Se a biomassa e o etanol se tornarem muito importantes na nova matriz energética, é de se esperar que as terras subam de preço, pois não será aceitável pela sociedade plantar onde hoje são florestas. O açúcar e o milho ficarão muito caros, assim como todos os produtos da indústria de doces. Também a carne ficará muito cara.
AS OPORTUNIDADES
Novos meios de se produzir carne, açúcar e milho mais baratos. Meios de transporte não dependentes de petróleo: trens, metrô, bicicletas, energias alternativas, tração animal. Se os produtos petroquímicos também encarecerem, reparemos que eles estão em toda a nossa volta. Teremos que encontrar materiais alternativos: aço, vidro e madeira são os mais conhecidos hoje. Terão que vir de produção sustentável.
A imaginação será um atributo muito importante numa época de tantas mudanças, seja para inventar soluções, seja para prestar serviços. A capacidade de dar bons conselhos ou gerar entretenimento terá grande valor no campo profissional de serviços, porque muita gente estará deprimida com as suas perdas e a incapacidade de lidar com as mudanças.
2. AS MUDANÇAS NO CLIMA
Já exaustivamente comentadas em toda a mídia.
AS CONSEQUÊNCIAS
O custo dos desastres climáticos estará perto do insuportável. A saúde irá piorar e haverá grandes perdas na agricultura e em várias outras atividades humanas.
AS OPORTUNIDADES
Háverá migração para cidades mais seguras e de clima mais ameno. Podemos esperar uma verdadeira avalanche de novos produtos: homens não conseguirão mais usar ternos, mulheres não conseguirão usar terninhos, a moda vai mudar, assim como os tecidos. Mudaremos também para uma alimentação mais leve no verão, para novos cosméticos, até mesmo as academias de ginástica deverão orientar exercícios físicos mais leves. As temperaturas mais altas influenciarão também o design, a arquitetura e os sistemas de ventilação e refrigeração.
3. AS MUDANÇAS NOS INVESTIMENTOS
A consciência ambiental irá gerar lucros e procurar evitar prejuízos.
AS CONSEQUÊNCIAS
Muitas pessoas irão agir como policiais com respeito ao meio ambiente. Haverá maior responsabilidade em relação ao consumo, ao uso da água, da energia, do lixo, etc.
AS OPORTUNIDADES
Oferecimento de energias limpas. Serviços de recolhimento e reciclagem de lixo. Bolsas de Valores orientadas para os investimentos e as empresas socialmente responsáveis.
O consumo responsável, se chegar para valer, vai mudar radicalmente a publicidade e a mídia.
(continua...)
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 11h09
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ESMOLAS – CONSCIÊNCIA E LÓGICA
São tantos os pedintes nos sinais luminosos das grandes cidades, que geraram diversas atitudes entre os motoristas:
__ Eu não dou esmola, não abro o vidro do carro, até por uma questão de segurança.
__ Eu não dou esmola, porque estimula a mendicância. Quando vou ajudar, procuro uma instituição de caridade.
__ Eu tenho muita dó de muita gente, coleciono moedas no console do carro para dar aos mais necessitados.
__ Às vezes compro alguma coisa, para ajudar.
E por aí vai...
O que nem todo mundo sabe é que o assistencialismo é necessário sim, quando o sujeito está abaixo da linha da pobreza. Se não houver assistência, ele jamais vai se levantar do chão, e se não houver políticas públicas para fornecer os meios de alcançar os primeiros degraus de uma vida digna, também não. Quem quiser estudar o problema em detalhes, leia “O Fim da Pobreza”, de Jeffrey Sachs (Cia. das Letras). Soluções simples, para acabar com este martírio em todo o mundo até 2025.
O que também nem todo mundo percebe é que não adianta dar apenas o que está sobrando. É necessário dar o que nos faz falta, dividir oportunidades, dedicar tempo à melhoria de vida dos mais necessitados.
Há um programa chamado Junior Achievement, por exemplo, que busca voluntários nas empresas, através de convênios, para ensinar e despertar o espírito empreendedor de jovens em escolas municipais. Já atendeu mais de 60 mil alunos, tem mais de 3.000 voluntários no Brasil.
Por outro lado, vemos centenas de jovens que acabaram de passar no vestibular esmolando pelas ruas, dizendo que vão fazer uma festa dos calouros. Muita gente acha graça e contribui. E aqueles que deveriam aprender a contribuir para a melhoria da sociedade, pelo contrário, aprendem a esmolar, com a maior alegria.
Triste é o país que ainda vive como se o longo prazo não fosse acontecer...
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 15h50
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SOMOS BICHOS?
Com a assinatura de canais como o National Geographic, passei a ver e reparar com muito mais assiduidade o mundo animal. É uma beleza. A gente vê tudo que se passa numa savana africana, com riqueza de detalhes, sem precisar se besuntar de repelentes contra insetos. Pode ver o fundo do mar sem se balançar num barquinho pelo meio do mar.
E dá o que pensar ver a ferocidade de um tubarão que come o irmãozinho antes de nascer, ainda dentro do útero. Ou saber que a grande maioria dos animais só come as suas presas para se alimentar e dar de comer à sua prole. Mas que também existem exceções, pois há espécies em que os pais comem os próprios filhos, outras em que o instinto feroz faz matar mesmo sem fome.
Nós, os humanos, temos algumas peculiaridades. Da natureza, por exemplo, não tomamos o suficiente para nos manter. Tomamos para acumular.
Com a nossa inteligência superior e o nosso nível de consciência, inventamos uma forma mais do que aloprada de viver em sociedade. Uma lage cai e mata duas pessoas em Copacabana, uma grua bate em um prédio na Rússia, tudo por descaso, imprevidência, falta de respeito com a vida. A TV retrata a barbárie dos ônibus incendiados e são tantas as agruras do país que o Iraque nem ao menos sai na primeira página. Matança diária passa a ser banal: até as 15:44h. de hoje, apenas hoje, dezoito crianças que jogavam futebol morreram num atentado com carro-bomba.
Enquanto isso, um cineasta diz que achou os ossos da família de Jesus. Pretende lucrar com a ingenuidade alheia, com certeza. Os humanos seguem em competição ferrenha pelo acúmulo de bens, confundindo riqueza com bem-estar, conforto e sucesso material ou profissional com felicidade. E geram uma desigualdade abissal, num processo ganha-perde em que poucas vezes tem lugar a cooperação. Confundem esperteza com inteligência, não cooperam nem ao menos com a sustentabilidade do seu planeta. Fico imaginando o que farão quando puderem explorar outros mundos...
Políticos e militares se reúnem ao redor da mesa para combinar uma guerra. Corruptos furtam o dinheiro arrecadado para as vítimas do Tsunami. Afinal, o que vem a ser o uso de um produtinho pirata diante de uma atrocidade dessas? E, de concessão em concessão, os indivíduos compõem a sociedade. A sociedade do salve-se quem puder. Harmonia nem pensar, pelo simples fato de que não estamos dispostos a praticar esta palavra maravilhosa no âmbito da sociedade como um todo. Teríamos que fazer concessões que a nossa consciência ainda não permite.
Um raio de esperança vem das palavras de um agente aposentado do Serviço de Polícia Indiana, em artigo intitulado "Hora de deixar nosso Estilo de Vida dirigido pelo Ego". Em síntese, raciocinamos que o equilíbrio dos seres vivos vai se fazendo, de predador em predador, com as diversas populações se ajustando ao longo do tempo, apesar de alguns desequilíbrios momentâneos. Mas que, lato sensu, o homem não possui predadores, pois a sua inteligência superior lhe permite se defender, até mesmo “domar” a natureza com suas pontes, represas, minerações, domesticação de animais, etc. Por isso, nossa população vem crescendo sem parar. Os predadores humanos somos todos nós, quando liberamos nossos piores instintos interiores e prejudicamos os próximos, chegando até mesmo a fazer guerras.
Na idolatria do dinheiro, competimos ao ponto de alijar da cena econômica os menos aptos, criando um caos social. Na idolatria da ostentação e do consumo, exaurimos os recursos do planeta, colocando em risco a vida de todos.
“O homem pensa que conquistou tudo, mas não sendo capaz de conquistar seus inimigos internos, ele deixa a porta aberta para a sua própria destruição.”
Tem solução? Tem: amor, espiritualidade, pensar positivo no sentido dos bons instintos. O bicho humano tem esta capacidade, esta infinita capacidade.
“Espiritualidade é a ciência do mobilizar e aproveitar os hormônios positivos em nós, não apenas para superar os desafios, mas também para nos livrarmos do nosso egoísmo arraigado a fim de nos abrirmos à bem aventurança e além."
Inúmeras fontes já nos repetiram isto, em diversas formas. Só precisamos relembrar e praticar.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 18h07
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"O CAPITAL MORAL OU A FALTA DELE"
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Aqui você encontra trechos deste meu livro, publicado pela Editora Qualitymark (www.qualitymark.com.br). Encontra também alguns artigos escritos posteriormente. 40 exemplares deste livro foram doados a bibliotecas de escolas de ensino superior no Brasil. Todas as cópias têm o selo do Creative Commons, que permite cópias, desde que se dê crédito ao autor.
Na carta de doação, defendo a seguinte idéia:
"Levei dois anos para escrever “O Capital Moral ou a Falta Dele”. Os conhecimentos ali reunidos podem ter alguma originalidade quanto à forma de apresentação ou quanto à maneira como estão relacionados, mas, sem sombra de dúvida, pertencem à humanidade - eu os extraí dela.
E foram colocados com muito humanismo, na expectativa de influenciar os leitores a um processo de expansão da consciência, buscando soluções para problemas que nos afligem demais, tanto no Brasil como no resto do mundo.
No que eu possa contribuir para que sejam permitidas cópias desta obra, assim o farei."
Marcelo C. P. Diniz
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 00h03
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"O CAPITAL MORAL OU A FALTA DELE"
DE ONDE VEM TANTA FALTA DE CONSCIÊNCIA?
Nossa herança vem do campo. Não é fácil sair do sistema de Capitanias Hereditárias para uma estrutura fundiária justa. E os males do campo vão, certamente, refletir-se nas cidades. Em 1530, a Coroa portuguesa entregava praticamente todo o território conhecido do Brasil a apenas 12 donatários, com direitos de doar sesmarias. Nossa sociedade foi se formando em torno do sistema de “plantations”: senhores de terras, monoculturas e escravos. E a terra farta gerava relativo atraso na lavoura, itinerante, sem irrigação ou adubagem. Durante muito tempo, a economia brasileira ficou dependente dos grandes senhores da agricultura, da mão de obra escrava e da mineração. Acreditem ou não, era proibido por lei abrir indústrias no Brasil até 1/4/1808.
Nossa dependência da mão de obra escrava era tão grande que, a partir de 1870, o Brasil era praticamente o único país não abolicionista do ocidente. Os escravos só foram libertados em 1888. Junto com seus descendentes e mestiços, formaram uma população pobre e sem terra colossal em nosso país.
Após a Independência, através do sistema de posses, surgiram grandes fazendas e a grilagem de terras, problema que ainda persiste. E as injustiças na distribuição das terras foram perpetradas por Lei. A partir de 1850, as terras só podiam ser adquiridas mediante pagamento em dinheiro: os pobres ficaram fora do processo.
Tudo se reflete nos indicadores abaixo, medidos pelo IBGE. Pode haver alterações de um ano para outro, mas a ordem de grandeza está aqui: - Mais de 3 milhões de domicílios brasileiros não têm banheiro nem sanitário. Mais de 7 milhões não têm banheiro; - a taxa de analfabetismo está caindo. Sua tendência é chegar a zero, pois quase todas as crianças de 7 a 14 anos estão na escola. Mas a qualidade do ensino deixa muito a desejar e ainda temos em torno de 17 milhões de analfabetos, sobretudo adultos; - Nossa expectativa média de vida ainda não chegou a 70 anos, bem inferior aos países do chamado Primeiro Mundo; - Temos perto de 50 milhões de chefes de família ganhando menos que R$350 mensais. Os 50% mais pobres têm só 12% da renda total.
Já o nosso Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU, estava na casa do 70º do mundo. Aqui não se levam em conta os contrastes regionais: se medíssemos apenas o Estado do Maranhão, poderíamos estar situados entre os países da África negra; por outro lado, se viajássemos até Porto Alegre, poderíamos ser comparados aos europeus. 75 anos de desenvolvimento separam o bairro da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, da região da Lagoa, na mesma cidade.
E um estudo a Fundação Getúlio Vargas calcula que o Brasil tenha 56 milhões de indigentes – renda per capita inferior a R$80 mensais, mais ou menos o que calculou o Banco Mundial. Para erradicar esta fome, cada brasileiro precisaria contribuir com, aproximadamente, R$14,00 mensais. O diagnóstico é o seguinte: como não existem instituições com credibilidade e capacidade suficiente para abraçar esta causa, mobilizando a população para a arrecadação e distribuição desse dinheiro, cabe aos governos o ônus da miséria. Eles, então, criam alguns programas sociais de distribuição de renda. E a sua burocracia, certas vezes aliada à corrupção, consome grande parte dos recursos antes que eles beneficiem quem quer que seja.
É um problema cultural sério. Não é privilégio do Brasil, mas é muito forte por aqui. E a mudança é lenta. Helio Jaguaribe calcula em 20 anos o nosso processo de desenvolvimento, para atingirmos o estágio da Espanha de hoje. Isto se houver uma “vigorosa e consistente execução a um grande programa de desenvolvimento social e econômico-tecnológico.” Obviamente, há que haver consenso e vontade de todas as classes. E não temos visto um movimento “vigoroso” neste sentido.
Mas, ao se referir aos ricos brasileiros como “Comedores de Si”, pois condenam os seus próprios negócios ao negligenciar e até mesmo prejudicar o crescimento do mercado, o Prof. Cristovam Buarque concluiu:
“Surpreendente é como custaria pouco à elite superar o quadro de pobreza no Brasil. Diferente de outros países pobres, sem recursos, com apenas 10% da receita do setor público brasileiro, gastos com as prioridades certas, sem corrupção nem desvios, em 15 ou 20 anos o Brasil teria incluído toda a sua população no acesso aos bens e serviços essenciais. Mas, ... os orçamentos da União, dos estados, municípios e Distrito Federal serão elaborados olhando as demandas dos incluídos, desprezando as necessidades dos pobres. Egoísta e estupidamente, os ricos continuarão se comendo.”
Ninguém poderia imaginar, em 1950, até onde a expansão da consciência ecológica nos levaria. Ninguém pode imaginar, hoje, até onde ela ainda nos levará. Quantas leis ainda serão feitas? Quantas certificações ainda serão criadas? Quantos tratados serão assinados? Quantas práticas serão incentivadas? Que produtos serão concebidos ou rejeitados?
Da mesma forma, não ouso prever o que poderá acontecer com a expansão da consciência social e das outras formas de consciência, inclusive a espiritual.
Este livro propõe, então, que se alimente a expansão de todas as consciências. À medida que formos nos informando e refletindo, à medida que elas forem evoluindo, a própria sociedade se encarregará de reinventar suas práticas, seus meios, e encontrar soluções.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 23h38
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"O CAPITAL MORAL OU A FALTA DELE"
A CORRUPÇÃO ESTÁ EM TODA PARTE
A corrupção é a outra face da marginalidade, atingindo proporções frequentemente maiores do que os crimes comuns. Quando um Ministro de Estado recebe US$50 mil para favorecer um grupo econômico, na maioria das vezes aquele grupo está vendendo alguma coisa ao governo e aumenta o preço em, no mínimo, US$50 mil mais impostos. Pior será se estiver vendendo alguma coisa da qual o governo não precisa. Aquele Ministro terá, então, criado uma necessidade fútil para a administração pública. Necessidade que poderá ter custado, quem sabe, US$500 mil, mais o ônus da sua implementação.
Uma piada corrente diz que o corrupto europeu recebe propina para fazer um metrô, beneficiando os seus eleitores. No Brasil, ele recebe para não fazer o metrô, beneficiando os donos de ônibus.
A ONG “Transparência Internacional”, que publica um índice de percepção de corrupção, afirma que latino-americanos, africanos e asiáticos acham que há mais corrupção nos seus países do que os cidadãos das nações ricas.
“A corrupção (no Brasil) chegou a um nível tão alto que acaba atrapalhando as relações comerciais em alguns setores e confundindo a missão da atividade política.” Peter Eigen, fundador da Transparência Internacional
O Brasil deixa de receber U$40 bilhões anualmente porque os investidores estrangeiros desconfiam das instituições do país. E um estudo do BID diz que a América Latina perde 10% do seu PIB todo ano com a corrupção. O ensino da ética nunca foi tão necessário.
E o que acontece quando a corrupção é reduzida à metade? O Banco Mundial responde: - redução de 51% na mortalidade infantil; - redução de 54% na desigualdade de distribuição de renda; - queda de 50% na importância da economia informal em relação ao PIB; - queda de 45% na população que vive com menos de US$2 por dia.
Sabe-se também que, nos países mais corruptos: - as empresas têm resultados financeiros muito piores; - invertem-se as prioridades. Hospitais podem ser substituídos por gastos militares; - pequenas empresas podem gastar até um quarto do seu lucro para evitar multas; - os pobres gastam grande parcela do seu orçamento familiar pagando gratificações para conseguir um atendimento qualquer, seja da polícia ou dos serviços de saúde; - paga-se mais por empréstimos internacionais. No Brasil, o custo do dinheiro é bem mais alto que na Finlândia; - as empresas escapam do pagamento de propinas caindo na informalidade. Pagam menos impostos e enfraquecem o Estado.
O Brasil teve, apenas entre a deposição do Presidente Collor e novembro de 2000, 15 deputados federais e um senador cassados. As CPIs se sucedem, renúncias e novas deposições também. Estamos atingindo a ética? Possivelmente, não.
Até porque, por razões e interesses os mais diversos, CPIs são abertas da mesma forma que são engavetadas. No governo Lula, dezenas de pedidos de investigação foram arquivados, assim como CPIs. A CPI do Narcotráfico, que vem desde 1999, indiciou 800 pessoas, entre elas políticos e juízes. Destes, a grande maioria não foi punida.
A corrupção é fruto, em primeiro lugar, do egoísmo natural do ser humano, da falta de civilidade, do espírito individualista em sociedade. Pode ser muito favorecida pelas desigualdades sociais ou pela ganância. E é alimentada pelo capitalismo, que, principalmente após a Revolução Industrial, formou a mentalidade de que é imperativo “vencer, ter, acumular”.
Neste quadro, as sociedades menos educadas, mais indisciplinadas e permissivas geram, com maior facilidade, indivíduos propensos ao ilícito. E, como sempre, tudo desagua na consciência. Se se consegue dormir com o crime, por que evitá-lo? Se também o sistema é facilmente driblado, se a impunidade é a tônica, por que se preocupar?
O que parece estar acontecendo no Brasil é que a caça aos corruptos dá votos e vende jornais e revistas, como também aumenta a audiência dos veículos eletrônicos. Consequentemente, gera poder e dinheiro, da mesma forma que faz perder, e o conflito de interesses é que vai mostrar quem tem a força.
Aqui, vale um parêntesis, num país que tem uma polícia e um sistema judiciário às avessas, o papel da imprensa, enquanto responsável, é extremamente importante para fazer vir à tona os escândalos que nos rondam. A imprensa, em alguns casos, passa a exercer o papel de polícia. Acontece que a imprensa vive de novidades. Nada mais inútil do que um jornal velho. Então, o que acontece? A imprensa levanta um ato de corrupção altamente relevante. Alguns dias depois, surge outro. O primeiro caso passa para o segundo plano até desaparecer das manchetes. E, se a polícia e o judiciário não tomarem conta, temos mais uma pizza.
Para vencermos a corrupção, muita civilidade ainda terá que ser conquistada, o judiciário deverá recuperar agilidade e confiabilidade, os políticos deverão agir, sem sombra de dúvida, em prol do interesse público, os empresários deverão gerir seus negócios com responsabilidade social e o povo deverá estar mais educado.
Mas, cuidado, a corrupção não está apenas nos países pobres.
“Reside em...administrações vassalas, nas mais refinadas e nas mais podres forças policiais administrativas, nos lobbies das classes dominantes, nas máfias de grupos sociais emergentes, nas igrejas e seitas, nos autores e perseguidores de escândalos, nos grandes conglomerados financeiros e nas transações econômicas corriqueiras.” Michael Hardt e Antonio Negri em “Império”
Transações econômicas corriqueiras: a Kroll e a ONG Transparência Brasil resolveram ouvir as empresas. 72% delas têm código de ética ou de conduta que proíbe especificamente a prática de corrupção. Será que cumprem? Segundo Claudio Weber, “o poder de se corromper virou fator de produtividade”. Pode haver um absurdo maior?
A Transparência Brasil relatou na segunda edição da sua pesquisa: - cerca de 70% das empresas afirmaram gastar até 3% do seu faturamento com o pagamento de propinas. Para 25% delas, este custo eleva-se entre 5% e 10%; - metade das empresas da amostra se candidaram em licitações públicas. Destas, 62% foram sujeitas a pedidos de propinas; - investigações de casos de suspeita de corrupção ocorreram apenas em 22% das empresas; - punições de funcionários culpados aconteceram em 14% delas.
Meu caro leitor, sempre que tiver oportunidade, diga não à corrupção. Os economistas do Banco Mundial chegaram à conclusão que o Brasil ocupa o 70º lugar no ranking dos países corruptos. Se chegarmos ao índice de Angola (152º), sem considerar nenhum outro fator, vamos ter uma renda per capita 75% menor em oito décadas. Se, por outro lado, chegarmos ao nível da Inglaterra (10O), ficaremos quatro vezes mais ricos no mesmo período, com a invejável renda per capita de US$14,000.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 23h35
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ALGUNS ADVOGAM A LIBERAÇÃO DAS DROGAS
A primeira coisa que iria acontecer seria uma drástica redução de preço, com a oferta liberada e uma concorrência ferrenha entre os vendedores. O consumo, consequentemente, aumentaria muito – todos teriam acesso: poderiam fumar maconha ao preço de um café.
Tem gente que acha que as drogas deveriam ser vendidas nas farmácias, com receita médica controlada, outros acham que poderiam ser liberadas gradativamente, até chegar ao estágio normal de comercialização do álcool e dos cigarros, por exemplo.
Pessoalmente, interpreto essas opiniões como a falência do estado em coibir, ou como a falência da consciência em rejeitar.
O usuário de maconha, cocaína ou qualquer outra droga proibida é, na realidade, o financiador do crime organizado, inclusive do tráfico de armas. O Brasil é o maior exportador de produtos de refino de cocaína para a Colômbia. Somos, juntamente com esses países da América do Sul, grandes produtores. Não contentes com isso, somos importante corredor por onde passam as drogas para intoxicar nossos irmãos do hemisfério norte, eles também co-financiadores do crime. E, com o consumo interno, alimentamos o varejo das favelas e todas as outras classes envolvidas. Quem usa a droga precisa ter consciência da sua responsabilidade.
Por outro lado, o usuário contumaz de cigarros e álcool, como nos mostrou o médico Drauzio Varela em sucessivas reportagens e entrevistas, é um dependente cerebral químico – um viciado como outro qualquer.
Numa sociedade avançada, nenhuma dessas drogas existiria. O cigarro, por exemplo, terá que ser combatido pela substituição de culturas, dando ao pequeno agricultor que vive do plantio de fumo alternativas de sobrevivência.
Em paralelo, deveremos ter o aumento significativo do preço do produto e dos impostos e o combate ao contrabando. O Brasil assina o Tratado do Controle do Tabaco, em Genebra. E pretende transformar o tratado em lei. Que assim seja, mas que depois não encontrem brechas na legislação para autorizar as corridas de Formula 1 em São Paulo com propaganda de cigarros. Capital Moral exige coerência.
Outro fator importante a considerar é que as campanhas de fumo-saúde tiveram, até hoje, efeito limitado. Pesquisas indicaram que a parcela jovem da população, justamente aquela que vai alimentar o mercado de amanhã, “acha que não vai morrer”, ou que “é capaz de deixar o cigarro a qualquer momento”. As mensagens que são mais capazes de influenciá-los são as sanções sociais: a namorada que rejeita o beijo e lhes oferece um drops de hortelã, o namorado que reclama do cheiro de cigarro nos cabelos da namorada, o amigo que diz ao outro que suas camisas estão fedendo, coisas do gênero. Para convencer, é preciso atingir o ponto certo.
Quanto ao álcool, é um assunto bem mais difícil de tratar, pelo menos no estágio atual da nossa sociedade. Não beber é anti-social em quase todas as rodas. Haja expansão de consciência para coibir o uso de um produto assim!
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 23h32
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POLÍCIA E SISTEMA CARCERÁRIO
Outro problema sério das sociedades latino-americanas, da brasileira em particular, é o despreparo da polícia e a precariedade das nossas prisões.
Há um déficit em torno de 70 mil vagas nos presídios, o que, aliado aos maus tratos e à vida criminosa que se perpetua ali dentro, provoca sucessivas revoltas, presentes nos noticiários freqüentemente.
Mas, e se a maioria dos criminosos fosse presa? Vivenciamos um exemplo que chega a ser cômico. Uma Fiorino foi roubada a mão armada no Bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Somente após uma hora depois de notificada, a delegacia do bairro resolveu enviar uma viatura para fazer uma diligência. O carro andou meia quadra, deixou cair na rua todo o seu sistema de escapamento e voltou.
Uma semana depois, a Fiorino foi vista perto de uma favela, no bairro de Bonsucesso. A delegacia de Rio Comprido se recusou a tomar providências – a queixa deveria ser feita na “jurisdição correta”, em Bonsucesso. O dono do carro resolveu, então, ir até o local. Furtou o carro dos ladrões e voltou a Bonsucesso para retirar a ocorrência de que o veículo estava roubado.
Era um sábado: “Desculpe, Doutor, mas não temos escrivão aqui hoje. O senhor tem que deixar a Fiorino aí no pátio e voltar na segunda-feira.” O carro seria furtado de novo, só que desta vez pela burocracia policial. O proprietário concordou, então, em dar uma gorjeta de R$30,00 para que o documento de liberação fosse batido naquela hora.
Ao datilografar o papel, o tabulador da máquina se desprendeu e caiu no chão: “está vendo, Doutor? É por isso que a gente tem que pedir dinheiro. Tudo aqui a gente é que tem que arranjar.” O detalhe mais importante: ninguém perguntou em que endereço a Fiorino fora resgatada.
A polícia brasileira é deficiente em treinamento, paga baixos salários, tem poucos recursos materiais, apresenta falta de entrosamento adequado entre as diversas esferas e, salvo honrosas exceções, é arbitrária, corrupta e violenta. É por isto que o cidadão poucas vezes sabe em quem menos confiar: no bandido ou no policial. E é também por isto que se repete, a boca-pequena: “só é preso no Brasil quem não pode pagar.”
Um dos especialistas brasileiros em segurança pública é Luiz Eduardo Soares. É importante conhecer algumas das suas opiniões sobre o caos que temos vivido, principalmente no Rio de Janeiro. Para ele, o combate à corrupção policial é a principal ação para diminuir a violência. E não é a violência policial que vai resolver o problema – as polícias mais eficientes não são as mais duras. Entretanto, a sociedade deve entender que as desigualdades sociais e a corrupção da própria elite – o crime está infiltrado em todas as instâncias – deram espaço à bandidagem, que agora interfere na cena pública para influir nas decisões dos poderes constituídos e na opinião pública: uma prática terrorista.
O especialista americano John Laub sintetizou: “as pessoas cometem crimes por vários motivos, que vão da impulsividade a fatores sociais. Mas é a oportunidade que leva ao crime. Precisamos diminuir as oportunidades. Faz-se isso combatendo o tráfico de drogas e o uso de armas”.
E o oficial britânico Andrew Mackay foi mais longe: “É preciso combater tanto os traficantes quanto os consumidores, porque uma ponta alimenta a outra... Quem sobe o morro atrás de drogas precisa entender as conseqüências desse ato. Uma delas é a violência urbana...”
A este propósito, foi divulgada uma pesquisa do Ibope sobre a eficiência de se anunciar “quem compra drogas financia a violência” – na visão de alguns, criminalizando o dependente. Resultado: 19% dos entrevistados declararam conhecer alguém que deixou as drogas ao verificar que seu dinheiro contribuía para a falta de segurança. 44% consideraram o argumento forte o suficiente para convencer o usuário.
Escrito por Marcelo C. P. Diniz às 23h30
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